quinta-feira, maio 29, 2008

Tempo em "stand-by"



Há dias em que me esqueço totalmente do tempo. A sensação é de que estou numa bolha suspensa em algum lugar que fica além de todos os relógios.

(Principalmente quando, como agora, estou numa cidade com um fuso horário, meus colegas de trabalho numa cidade com outro fuso, e minha família numa terceira, em outro fuso! Zona UTM e fuso horário já estão no sangue a essa altura!)

Eu já fui uma pessoa tão apegada a relógio... Hoje em dia tudo que eu queria era viver guiada apenas pela "hora de acordar", "hora de comer", "hora de dormir" que meu próprio corpo dita! :-) Já pensou?

Amanhã passarei das 5:30AM (horário de Lima/Peru) às 19:30hs (horário RJ/BR) em trânsito... Dentro de avião ou dentro de aeroporto... É como se a vida parasse um instante preu ir de um lugar a outro... (E todos estarão fazendo suas coisas, enquanto tudo pra mim está em stand-by).

Ai, isso é tão bom...

sábado, maio 24, 2008

Longe de Casa



Quando se está longe de casa é quando você melhor tem noção de quão seu quarto é bom e sua cama perfeita. Como seu espelho está sempre com a luz certa, as coisas, por mais bagunçadas, estão sempre no lugar. Que seu armário de cozinha quase vazio ainda tem as guloseimas que você gosta de comer. Só então você percebe como é relaxante abrir a geladeira só para olhar o que tem dentro, e fechar. E descobre o prazer sem igual de enfiar a "sua" chave na porta da "sua" casa, abri-la, deixar tudo na mesa da sala, tirar os sapatos, a calça jeans e ficar de camiseta, calcinha e meias... Pegar um copo de mate e sentar na sala pra olhar a televisão sem compromisso algum. Ou, ainda, gastar horas da madrugada na Internet, ou deitada no sofá, e não ter hora pra acordar no dia seguinte.

Tão pequeninas coisas da nossa casa...

Quando se está longe, parece que isso é tudo que se quer.



**Lima é uma cidade interessante... Os motoristas são piores que os cariocas... E buzinam 5 vezes mais. Os peruanos são amáveis e adoooooooram conversar com brasileiros! Ficam felizes qdo digo que "yo soy Brasileña"... :-)
"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

[Clarice Lispector]

sexta-feira, maio 23, 2008

Três...



Um
Foi grande o meu amor
Não sei o que me deu
Quem inventou fui eu
Fiz de você o Sol
Da noite primordial
E o mundo fora nós
Se resumia a tédio e pó
Quando em você tudo se complicou

Dois
Se você quer amar
Não basta um só amor
Não sei como explicar
Um só sempre é demais
Pra seres como nós
Sujeitos a jogar
As fichas todas de uma vez
Sem temer, naufragar
Não há lugar pra lamúrias
Essas não caem bem
Não há lugar pra calunias
Mas por que não
Nos reinventar

Três
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com seu sexo junto ao mar...

[Marina Lima]


**Ahhhhhhh, a Marina...

terça-feira, maio 13, 2008

"Há um lugar para ser feliz..."



"Além de Abril em Paris,
Outono no Rio..."

Mesmo acordando cedo, ou justo porque tenho que acordar cedo, não consigo deixar de me emocionar e de ligar aquele sorriso no rosto quando abro às 7 da manhã a cortina e a janela do meu quarto e vejo o céu azul do Outono no Rio...
Já faz tempo, muitos anos, desde que vim morar por essa região aqui, que me sinto assim nessa época do ano.
Lagoa, Corcovado (o trenzinho), Pão de Açúcar (o bondinho)... Mesmo as beiras de praia nessa época, com o ar que achamos que é gelado (e de fato o é para a realidade Carioca)... A pista Cláudio Coutinho... O Deck do Aterro do Flamengo... O Garota da Urca... E a picanha na chapa do Garota do Flamengo num sábado à tarde...
Poesia em imagens.
Todos eles.
Eu me apaixono e desapaixono por esta cidade muitas vezes ao ano... Como digo.
(O amor às vezes tem disso...)

É, há um lugar para ser feliz...
Outono no Rio.

segunda-feira, maio 05, 2008



Arghhhhhhhhhhhhhh eu tinha escrito um texto maneiro e na hora de publicar deu pau!
Enfim segunda-feira!

(Outro dia eu falo do "querer e deixar de querer" da mulher, da minha "solidão querida" e de como eu me acho a melhor companhia pra mim às vezes, dos 3 dias sabáticos que tive completamente sozinha em casa, e de como, mesmo gostando muuuito de estar só, tem noites, como a de hoje, que quero mesmo é dormir de conchinha (embora ainda queira estar só!)... Vai entender!)

Em tempo, filmes que vi e recomendo: Retrato de Uma Mulher (com Nicole Kidmand e John Malkovich) e Eterno Amor (com Audrey Tautou). Valem a pena!

domingo, maio 04, 2008

Pai

"Pai, pode ser que daí você sinta qualquer coisa entre esses vinte ou trinta longos anos em busca de paz.... Pai, pode crer, eu tô bem, eu vou indo, tô tentando, vivendo e pedindo com loucura pra você renascer... Pai, eu não faço questão de ser tudo, só não quero e não vou ficar muda pra falar de amor pra você... Pai, nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver... Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo. Nos teus passos você foi mais eu... Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no teu peito pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de amor com minha filha no tapete da sala de estar...
Pai, você foi meu herói meu bandido, hoje é mais muito mais que um amigo.
Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho que hoje eu sigo em paz..."

[Trechos de Pai, de Fábio Jr.]





No dia em que você completaria 66 anos de vida, queria muito lhe dizer o quanto lhe amo, hoje como era a 11 anos atrás, como sempre foi e sempre será. Eu sei que daí você sabe, sempre soube, de seu papel em minha vida. De tudo que me ensinou, da mulher que me fez, como lhe agradeço por tudo que passamos juntos e, por até em sua morte, você ter me ensinado a ser mais forte. Em toda minha vida, nas minhas palavras, nas atitudes, nos meus passos, estão seus olhos, suas mãos, sua voz, seu olhar e seus pés.
Sinto saudades, todos os dias, alguns mais, outros menos, e muitas vezes fecho os olhos e redesenho seu rosto moreno e magro em minhas pálpebras. Faço questão de não apagar seus traços de meus olhos, mesmo quando o tempo teima em fazê-los nebulosos.
Desejo-lhe um feliz 31 onde está, olhando por nós, e que saiba, com certeza, que não haverá amor maior em meu coração do que esse que sinto por você e minha filha.
Saudade...

(Escrito em 31/12/2007)

Se eu tivesse que falar de mim?

Eu sou chata... Sou organizada. Gosto de limpeza. Sou Canceriana com ascendente em Gêmeos, Lua em Virgem e Vênus em Touro. Amo ler... Adoro música... Gosto de Astrologia... Filosofia... E Cabala. De trabalho voluntário. Gosto de gostar de quem eu gosto.
Adoro ficar só. Adoro viajar.
Adoro sair com meus amigos - todos os amigos de verdade (e, se os chamo de amigos, sempre são de verdade) são, por conseqüência, do coração.
Não imagino a vida sem amor. Não imagino a vida sem lágrimas. Não imagino a vida sem música, sem poesia. Sem filmes. Não imagino a vida sem minha filha, mas aprendi a viver a vida sem meu pai, sem o qual eu também não imaginava a vida - logo, vi que a gente até vive sem as pessoas que ama.
Não tenho pena de nada, nem de ninguém. Acredito piamente que a gente constrói o que vive! Acredito muito que a gente pode tudo que realmente desejar se o desejo estiver conectado à alma do universo.
Eu rio sozinha, muito.
Eu durmo sozinha, muito.
Eu abraço muito minha filha, e essa é a hora mais feliz da minha vida, mesmo que haja muita hora feliz.
Eu fico cansada e fico sem paciência.
Eu adoro ensinar.
E continuo adorando Funk Carioca e Roberto Carlos.
Não gosto de superficialidade. Muito menos de hipocrisia.
Sou viciada em Internet... Amo minha vó, minha mãe e meu irmão!
O Pai da minha filha será sempre O Pai da minha filha e o homem mais amado e admirado.
Gosto de meninos, gosto de meninas.
E não gosto de bom gosto, nem de bom senso, nem de bons modos - como diria Adriana.
Eu amo a lua, a noite, uma praia, esfiha de carne da Rotisseria, comida japonesa.
Eu amo, e muito!
E eu mudo, muito também.

O Canhoto

"O Canhoto é aquele que a Natureza, por puro gosto, fez nascer num mundo destro, fazendo, naturalmente, tudo com o lado oposto...
Sem nenhuma possibilidade de optar pelo melhor dos lados, o Canhoto vai mundo afora, contra o curso normal do destro, na eterna e esquerda busca de um lugar, ou um momento, no qual se encontre em seu semelhante.
Este é o Canhoto... Este que, ao nascer, sem que opções lhe restassem, aceitou incondicionalmente, viver e ser vivido, caminhar e ser caminhado, mesmo que toda a vida se lhe apresente ao contrário... Mesmo que todos os rumos lhe apontem o outro lado.
Este é o Canhoto... Este para quem a beleza não reside, obrigatoriamente, no lado que fica à mostra, mas se encontra, certamente, no mais recôndito avesso.
Assim é o Canhoto... Que vive, ama e fere, sutil, ingênua, pura e inocentemente, os padrões normais, isento de qualquer culpa, posto que o que, para tantos e certo, tantas vezes, aos olhos Canhotos, tanto lhes parece errado...
'Que onde encontrarmos um sopro de vida, uma mínima energia, estejamos prontos a defendê-la...'
Sem medo de Ser Feliz...
Sem vergonha de Sentir, Sonhar, Acreditar e Realizar...
"

(Escrito por minha mãe, em algum dia no começo da década de 90... Naquela época eu não sabia ainda o quanto dela eu veria em mim, mais tarde...)

Por partes

Casa
Terra
Calo
Lado
Mudo
Faço
Caço
Colo
Coço
Gozo
Ergo
Mudo
Quero
Choro
Calo
Durmo

(Escrito em 31/08/2007)

Cócegas

Estava ainda aprendendo a andar sozinha, colocar os pés no chão e sentir na pele o cheiro da terra molhada. Os grãos entre os dedos, fazendo cosquinha e pressionando as unhas. Aquela leve pressão que dava vontade de sentar no chão e cavoucar tudo.
Em outros tempos, correria para lavar os pés.
Mas não hoje, não naquela manhã de sol fraco e brisa fria.
Era tamanha a vontade de chão, de ar, de água, que havia decidido largar todos os compromissos e sair andando, de chinelo, vestido largo, cabelos soltos, calcinha de algodão.
Queria estar livre. Sentir o mormaço do sol, os pelos arrepiando em resposta ao toque da brisa.
Pensava nos dias passados, nas presenças que tinha a sorte de ter pela vida. Chorava e sorria enquanto se sentia extremamente viva.
Em cada parte de seu pequeno corpo, fervia alguma emoção, e os grãos de terra teimavam em fazer-lhe cócegas nos pés.
Ria... Ria...
E as lágrimas desciam.
Estava só, novamente.

(Escrito em 10/10/2007)