sexta-feira, junho 20, 2008

Cativar



“...Olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!”

Eu tenho que falar de uma pessoa que está sempre na minha vida. Não posso dizer dele que tenha estado comigo desde meu nascimento, pelo menos fisicamente não, porque ele somente nasceu neste mundo quase um ano e um mês depois de mim... Mas temos em comum a geração, a criação, os cabelos de ouro (ele mais que eu, para minha inveja branca de sempre!), o signo de Câncer e a amizade única que jamais poderia ter na vida com outra pessoa.

Já ouvi dizerem que meu casamento com ele seria o mais perfeito do mundo (coisa de namorada ciumenta), que nossa forma de nos relacionarmos é tão íntegra, completa e com uma cumplicidade que ninguém conseguirá compartilhar... E hoje fico feliz em dizer que tudo isso é verdade. (Parece extremo, mas é verdade!)

A vida nos levou pra longe, levou pra cá, levou pra lá... Fez mudar, passar perrengue, estudar juntos, ralar juntos... Chorar juntos, andar de ônibus, limpar a casa, lavar roupa, limpar quintal, dar banho em cachorro, brigar com pai e mãe, consolar um ao outro em noites solitárias em casa, quando ainda pequenos... Acabar caindo na Informática e compartilharmos trabalho. Morar juntos... Desempacotar caixas. E fazer churrasco na cozinha, e fazer compra no mercado, e armar e proteger, até cair na porrada, um ao outro ou pelo outro... Zoar, ouvir música em comum, e música nada em comum... Ficar até 4 da manhã acordados pela casa... E, enfim, agora, empacotar tudo de novo e pensar em caminhos um pouco separados, mais uma vez. Mas essa pessoa, nunca, jamais e em hipótese alguma, perderá seu lugar na minha vida e no meu coração.

E hoje me vejo orgulhosa e dizer que meu mano Popô é um homem lindo... Com um coração um zilhão maior que o meu... E que está caçando seu caminho feliz.

De fato, eu gosto de plantações de trigo hoje em dia...
(E, sim, mano, somos responsáveis um pelo outro, pra sempre.)

domingo, junho 08, 2008

O Velhor e o Mar



Peço-lhe licença para ocupar esta branca e virgem folha de seu livro. Ele sempre foi seu, assim como eu, e estava esperando para ser encontrado, buscado numa prateleira onde estava discretamente em exposição, assim como eu... Ele e eu sempre fomos seus, passassem dias, anos, vidas, Eras, Éons...
Agradeço-lhe por me ajudar a ver o mundo e a pessoa com olhos puros, que são os seus.
"Um simples pescador de mãos calosas, que não esmorece diante dos embates e vicissitudes da vida, e que sabe receber triunfos e derrotas com a mesma força de espírito, pode ser um grande homem."
"Um homem só, no mar alto, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com quem trava urgente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta."
Esse livro é seu... A estória é sua... E o peixe sou eu.
Amando-lhe...

(Escrito em 06/09/2000)

sexta-feira, junho 06, 2008

Independência

"A independência é o privilégio dos fortes, da reduzida minoria que tem o calor de auto-afirmar-se. E aquele que trata de ser independente, sem estar obrigado a isso, mostra que não apenas é forte mas também possuidor de uma audácia imensa. Aventura-se num labirinto, multiplica os mil perigos que implica a vida; se isola e se deixa arrastar por algum minotauro oculto na caverna de sua consciência. Se tal homem se extinguisse estaria tão longe da compreensão dos homens que estes nem o sentiriam nem se comoveriam em absoluto. Seu caminho está traçado, não pode voltar atrás, nem sequer lograr a compaixão dos seres humanos."

[Nietzsche]

segunda-feira, junho 02, 2008

O dia do meu casamento...



Viemos à minha casa pegar nossas coisas (casaco, tênis etc.) para ir ao shopping...
Eu arrumando bolsa de mãe (roupa de criança sobressalente, lenço, saquinho de plástico...) e a pequena vai ao quarto, abre o armário e pega o buquê que usou quando foi daminha no casamento da tia...
Catou-me no banheiro... "Mãe, segura aqui... Vem cá!"
Colocou-me no meio do corredor do apartamento, buscou o pai na sala: "Pai, vem cá... Anda pai, vem aqui."
E puxou o pai até o corredor, colocando-o ao meu lado.
"Pai, você aceita casar com ela?"
Ele me olhando espantado e rindo... "Sim!"
Ela, firme novamente: "Mãe, você aceita casar com ele?"
Eu, rindo e em lágrimas, claro: "Sim!!!"
Ana: "Pronto, agora pode beijar!" "Beeeeija, pai!"
E beijamos.
Ela, para arrematar: "Pronto, agora vocês estão casados, podem ir..."

Ana é tudo...
Enfim, estou casada pelo poder da maior autoridade que haveria de determinar o assunto.
Voltamos a usar aliança.
E foi assim o dia do meu casamento... De surpresa, como tudo na minha vida com ele e com ela.

domingo, junho 01, 2008

"Felicidade só é REAL quando compartilhada."

"Não é preciso SER forte. É preciso PARECER forte."

**Frases do filme "Into the Wild", obra prima escrita e dirigida por Sean Penn, a qual eu tive o prazer de assistir nesse final de semana.


Dias felizes são assim... Simples e completos.