sábado, fevereiro 28, 2009

Piscatóia



A essa hora, a sete anos atrás, eu estava numa mesa de parto... Numa maternidade pequena em Botafogo, a menor e mais simples que pude achar na lista do convênio e onde meu médico aceitava me acompanhar.
Os olhos castanhos cansados daquele homem que estava sempre ao meu lado me fitavam como se eu fosse um presente embrulhado em seda da mais brilhante...
E eu podia notar o sentimento por de trás de toda a segurança que ele tentava me passar quando me dava um gole de água pra beber ou quando apertava minha mão, ou ainda quando segurava na garganta a sensação esquisita que deve ser olhar sua mulher deitada na mesa de parto cheia de líquidos, sangue e secreções espalhados à sua volta e saber que a todo momento o médico entrará e sairá examinando-a por dentro.
É um circo.
É um momento em que ninguém, nem mesmo o médico com "toda sua experiência" anterior, sabe no que vai dar, embora esperem todos o melhor para a chegada daquele novo ser ao mundo. Espera, espera, espera, faz força, faz força, faz força.
Não, ele não podia estar ali por mim. Ninguém podia estar ali por mim. Era uma luta minha, um medo meu, um ardor nas entranhas, um fogo e uma gana que só eu poderia saber. Só eu tinha que ter.
No meio disso, olhar para o semblante calmo dele me dava segurança. Era uma noite escura, ou era um incêndio bravo... Ele segurava minha mão e eu pensava "É nossa, a nossa Ana". Era o que me dava forças. E danava de aprender a ser mulher. De fazer força pra fazer vir ao mundo ela e a mãe que eu me tornei.
Nascemos os três naquela madrugada de 28 de fevereiro de 2002... às 4:10 da manhã, suados, agoniados, assustados, com força, felizes...
Nunca pude tirar dos olhos, tão pouco da mente, aquelas bilhas marrons e os lábios finos da pequena Ana que segurei no colo a primeira vez naquele momento. Por de trás desses olhos, o marrom sereno dos olhos do seu pai... Que escondiam havia tanto, e até hoje, o menino que ele sempre foi.
Comemoramos hoje o 7º ano de vida completo de nossa pequena.
Parabéns princezinha Piscatóia!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Cuide-se bem...



Cuide-se bem! Perigos há por toda a parte e é bem delicado viver, de uma forma ou de outra é uma arte, como tudo... Cuide-se bem! Tem mil surpresas à espreita em cada esquina mal iluminada, em cada rua estreita do mundo... Prá nunca perder esse riso largo e essa simpatia estampada no rosto... Cuide-se bem! Eu quero te ver com saúde e sempre de bom humor e de boa vontade com tudo... Prá nunca perder esse riso largo e essa simpatia estampada no rosto...

[Cuide-se bem - Guilherme Arantes]


Pensando em algumas pessoas que estão um pouco longe ou algumas ainda muito presentes, que me marcaram de alguma forma... Não pude deixar de lembrar dessa música.
Feliz e emocionada ao ver as fotos de um amigo com a namorada e a cria dela, ao ler um email de uma amiga que está indo embora para outro país, saber das novidades de alguém morando temporariamente fora (aliás, o último país em que eu quereria morar já não me parece tão ruim assim pelos olhos dele). Dá saudade, dá agonia, dá esse sorriso besta no rosto... Pessoas... Cuidem-se bem... É uma arte...

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Dias de Fausto

“De sol e de mundos nada sei dizer, vejo apenas como os homens se atormentam. O pequeno Deus do mundo [o homem] continua na mesma e está tão admirável assim como no primeiro dia. Um pouco melhor ele viveria, não lhe tivesses dado o brilho da luz celeste; ele chama isto razão e lança mão dela somente para ser mais animalesco do que cada animal.” (Mefistófeles, em Fausto de Goethe, p. 13.)


“Temos necessidade justamente daquilo que não sabemos e sabemos aquilo que não sabemos utilizar.” (Fausto, em Fausto de Goethe, p. 38.)


“Eu nunca soube adaptar-me à sociedade. Diante dos outros sinto-me tão pequeno que serei eternamente um acanhado.” (Fausto, em Fausto de Goethe, p. 68.)

terça-feira, fevereiro 24, 2009



...estive tão longe de ti
mas deixa agora que te nomeie entre as nuvens
e traga para dentro de mim...
o aroma que era o teu corpo nas manhãs a dois...

[Vasco Gato]



Não me pergunte se estou bem, não me pergunte se sei alguma coisa, o que quero, o que não quero. Há dias que tão pouco sei, que nem eu mesma espero de mim respostas - perguntas, e mais perguntas, é só o que posso lhe dar.
Não espere um cais - porque estou à deriva nas águas do mar faz tempo, não por descaso, mas por gosto ao desconhecido. Pelo vento que me sopra o rosto.
Não me peça controle, não me ofereça isso, muito menos.
Não, eu não sirvo para controlar ninguém. No máximo tento, depois de muito errar, acertar meus passos na linha reta do caminho do meio.
Eu sirvo, sim, sirvo, para servir. Mas não espere atos nobres, minha serventia não é nobre.
Sou pequena, equivocada, passional. A razão me tortura enquanto me ensina o caminho. E travo entre ela e a paixão que me toma, a cada dia, uma luta na qual me recuso a ser vítima.
Não espere disso aqui reflexão. Ordem, qualquer coisa que lhe faça sorrir.
Eu não sorrio quando escrevo. Tão pouco deixo de arder.
As letras são vermelhas porque assim também estão meus olhos. Porque assim é o mundo por meus olhos.
Palavras? O que são elas diante de um olhar de agonia? Diante do espaço infinito dos segundos que quero morrer de tanto viver?
Acabou o carnaval. As cores me tomaram de assalto! E agora estou cinza. Só posso rir olhando como a vida brinca com a gente enquanto a gente brinca de viver.
Deus deve estar jogando bolinha de gude.
"Seria trágico se cômico não fosse."

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Solid Air




** A letra é linda, mas a melodia... ai ai.

** Vi Ensaio sobre a Cegueira. Eu ia escrever um longo post sobre... Tirei foto dos meus olhos quando acabou o filme porque ia falar sobre nossa cegueira e não penso em nada melhor que uma imagem de meus olhos vermelhos pra colocar... Mas nada do que eu dissesse poderia falar o que o filme fala, poderia mostrar o que ele mostra e só mesmo quem pudesse entender o filme, poderia compreender o que se sente com ele. Logo, calei-me.
Limito-me a contar que senti toda a miríade de sentimentos humanos assistindo o filme sozinha na minha sala depois das 22hs. Raiva, nojo, tristeza, alegria, orgulho, inveja, alento, fé... E chorei, muito.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Eu amo porquinho rosa!




Porque eles são fofos!
Porque eles são rosinha!
Porque têm focinho de tomada!
Porque o rabinho é enrolado que nem mola!
Porque a pata é interessante!
Porque são gordinhos!
Porque o barulho deles é único!
Porque o R de poRRRRRco de carioca é bom demais!
Porque eu tive um quando era criança!
Porque eu gosto. E ponto!


(** Esse aí da foto me inspira no trabalho!
E sim, esse é "meu" escritório!)


Tento tempo vejam que coisa mais FOFA: http://tvuol.uol.com.br/#view/id=que-porquinho-mais-fofo--04023964D8C96326/user=qgd90wma6gzo/date=2009-02-16&&list/type=search/q=porquinho/!

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

...



Fico pensando às vezes nesses três pontinhos...
Reticências.
Reticente.
Uso muito as reticências. Em muitos lugares - escritas, faladas, pensadas...
Reticências na vida, com as pessoas.
Só não é reticente a minha vontade de fazer melhor.
Mas justo por conta de reticências, que deixam espaços amplos, portas abertas, é que me vejo podendo ter a possibilidade de ouvir coisas novas, de exergar com olhos que não os meus, de sentir outros gostos, de mudar de idéia.
Reticências.
Reticente.
Não, não sei imaginar a vida sem reticências...
...

(Eu hoje estou muito reticências!)

* Texto reticente e muito interessante achei aqui: http://linfa-zine.blogspot.com/2008/02/o-homem-reticente.html.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

[Álvaro de Campos - Fernando Pessoa]

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Coisas fáceis...

Coisas fáceis...
Fazer um agrado, abrir um sorriso, estender os braços, agir com juízo, mostrar o caminho, dizer a verdade, cuidar com carinho, viver com vontade.
São coisas pra se fazer sem esperar recompensa.
São coisas pra se querer.
Coisas tão simples e tão difíceis de esquecer.
Um abraço, um sorriso, um aceno.
Coisas fáceis...
Gestos tão pequenos...
Coisas fáceis...

[Coisas Fáceis, de Luciana Mello - Composição: Jair Oliveira]