terça-feira, abril 30, 2013

Expectativas



Todos os dias ela acordava com uma única expectativa: passar o dia sem se preocupar em cuidar de ninguém.
Num mundo em que cuidado passou a ser controle, e onde controle sempre haveria de ser ruim, onde a liberdade e a individualidade falavam mais alto, que mais poderia esperar de si mesma a não ser apenas fazer a sua parte nas limitadas horas de seu dia?
As vontades de todos, todas imperiosas. Liberdade. A felicidade constante, a diversão e o prazer o tempo todo à espreita, presentes, fazendo com que sorrir e gozar fossem as únicas coisas interessantes para todos... Que poderia ela, uma mulher semi-reclusa e chegada às dores, esperar do próximo? Cada um cuidando de si e de suas realizações. De fato, não devia esperar nada. Não devia querer fazer nada, além de cuidar de si mesma também, lamber suas feridas e, entre um silêncio e outro, trocar algum carinho e algumas poucas palavras.
Os dias passavam com a sensação de obrigações cumpridas. Ela também realizava. Uma vida aparentemente realizada na superficialidade de tudo.
Aonde estavam todos que pulsavam? Aqueles que sangravam? O mundo havia morrido e só ela não sabia. 

sábado, abril 27, 2013


"E o que estava longe está aqui: dentro e tão perto, de um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim..."

(Nando Reis)

sexta-feira, abril 26, 2013


"Eu vivo a liberdade de entender que liberdade de fato é uma palavra VAZIA.
A vida não é livre, ninguém é livre.
Muito pelo contrário. O ser humano é feito de barreiras e limites. São os limites que nos potencializam (...).
A fidelidade é um acordo, não é moral, não é religioso, que a mim muito me potencializa.
Ser mãe, e abrir mão de tantas coisas que eu abri na minha vida talvez seja a coisa mais alegre e feliz da minha vida. (...)"

"Você pode ser bonita, mas você não pode ser sensual se quiser uma profissional, uma pensadora. Ser gostosa não é ser magra, ter bunda dura e peito grande. Ser gostosa é ser sensual. E ser sensual é querer comer e ser comido pela VIDA, que é o que me caracteriza!"

"Eu sou uma LOCOMOVIDA."

Esse é só o começo da palestra dessa mulher MA-RA-VI-LHO-SA! Vale os quase 16 minutos...

quarta-feira, abril 24, 2013



"Nunca toque numa mulher por tédio. Nunca toque uma mulher por tocar. Nunca toque uma mulher para completar uma palavra ou ocupar um silêncio.

Nunca toque para apoiar os medos, cobrir mágoas, equilibrar a nudez.

Nunca toque uma mulher por vingança, por carência, por controle.

Não toque se não pode andar na imaginação, se não tem vontade de segurar sua mão enquanto arde, de emparedar a respiração com os olhos.

Não toque se não está disposto a sofrer, se não está disposto a curar o sofrimento.

Nunca toque uma mulher por imprecisa hospedagem, para breve visita das pálpebras.

Toque se quiser morar, se quiser naufragar pelas janelas, se quiser morrer de ansiedade.

Não toque se não deseja, se não assumiu a ponta dos lábios nos dedos.

Não acorde o corpo de uma mulher se não irá acalmá-lo depois. Não importune a mulher se não sonha em laminar o rosto em sua pele.

Não convoque os seios para despistá-los. Não prenda a cintura se não mergulhará no cheiro.

O toque é uma promessa. Não se esvazie na repetição.

Não toque se resta dúvida, não toque se vem desistindo da relação.

Não toque uma mulher por luxo, para experimentar uma fantasia, para justificar uma ideia.

Não toque uma mulher porque não tem nada a fazer, se pensava em outro lugar.

Não toque uma mulher por vaidade, para testá-la.

Não toque para apenas para se deleitar com o prazer do suspiro, pela glória de vê-la excitada.

Não toque uma mulher à toa, por brincadeira, por maldade.

Não desonre a suavidade com a falta de firmeza.

Não toque se não precisa, se não tem urgência. Até a preguiça tem urgência.

Não toque se não ficará mais tempo, se não pode conversar, se não há como gemer.

Não se sinta melhor do que o tato.

Não se aproxime se não busca deitar. Não deite se não busca acordar. Não mexa se não tem como enlouquecer.

Não finja que não chamou, não minta que não ouviu.

Não simule pergunta para fugir da resposta.

Não menospreze a frustração.

Não cumprimente se não abraçar, não abrace se não roçar.

Não toque numa mulher por obrigação, para mostrar virilidade. Não a incomode com os beijos se não pretender soprar os ouvidos.

Não desperte as contradições, os tremores, se não pretende seguir adiante.

Nunca provoque uma mulher se não vai comê-la."

terça-feira, abril 23, 2013

Quando achamos que a vida está toda certinha, que tudo entrou nos eixos, vem alguma coisa e tira tudo do lugar. A gente sofre por perdas, anseia por uma coisa ou outra... Se pergunta um milhão de vezes se fez uma escolha certa. Fica sem entender por que a vida tem horas que parece tão ingrata, por que ela nos deve tão pouco respeito...
Nessas horas falta lucidez. Parece que falta chão, que falta ar. Tem dias que falta até água ou sobra dela. Tem dias que a solidão incomoda, tem dias que é a multidão que incomoda.
E a gente segue buscando, sempre adiante e além, e pondo fora de nós a responsabilidade de nossa felicidade. Aliás, colocamos no encontro da felicidade plena a única possibilidade de uma vida realizada, ou de paz.
A gente se ocupa de problemas que não são nossos, se enche de obrigações sociais, de obrigações nem tão importantes (como manter a casa impecável, estar sempre na ponta de todos assuntos...) e vai deixando de lado o mais importante... Conhecer a nós mesmos.
Analisar as coisas que sentimos, entender o porquê de uma reação a um tema ou outro, por que certa pessoa nos incomoda tanto. Por que alguma tarefa parece tão impossível de realizar. Por que adiamos e adiamos coisas que podíamos muito bem resolver hoje.
A gente adia, empurra com a barriga, protela, esconde, foge, tapa.
Somente olhando de frente pra nós mesmos, pra dentro do que somos, somente encontrando a paz conosco, somente sabendo entender, escolher o que viver ou não, somente não sendo impulsivo e reativo, somente plenos com nossa mente e coração encontraremos a serenidade que nos faz sentir a vida como boa, de fato.
A base para isso? Dedicação, silêncio, reflexão, disciplina, muita disciplina.