domingo, março 29, 2009

Brincando com Clarice

"E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me respeitar.
"

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. A questão é: ou toca, ou não toca."

[Clarice Lispector]



**Frases roubadas da Pri, que agora anda lendo Clarice mais que nunca.
E eu não posso deixar de gostar. Porque Clarice fala tanto da gente, de cada mulher que nasceu na nossa terra.


Final de semana em casa... E em eventos da pequena.
Treino extra da equipe de natação sábado de manhã - agora somos sócias de um clube! Eba - piscina pra ir nos finais de semana! Quem sabe até eu não volte a fazer aula de dança de salão à noite! Saudade! Depois festinha de aniversário da Luísa! As crianças tocando um rebú na Parmê e eu de papo com os demais pais - lembro-me da época em que eu não tinha filha e achava um absurdo "esses pais que não controlam os filhos em lugar público"... Tudo muda!!!
Cuidando de casa, da filha, dos gatos. Limpeza, mercado, comida, roupa.
Estamos pintando um quadro. A paisagem já havia sido feita - hoje pintamos as pessoas.
Final de semana simples, tranquilo e muito gostoso.
Coisinhas pequenas da vida que nos deixam tão satisfeitos!
O tempo amansa.

quinta-feira, março 26, 2009

À minha Vó...



Minha vó se foi ao amanhecer, depois de uma noite em claro e de abençoar minha tia ao telefone e dizer que estava bem.
Eu sonhei com seus olhos azul-acinzentados num bebê recém-nascido mirando os meus olhos e sendo posto nu de encontro ao meu peito, também nu, com a sensação de que aquele era um abraço de calma, eterno. Hoje eu acordei chorando, às 5:10hs.
Ainda não consigo sentir o que eu esperava que sentiria.
Nessas horas eu fico anestesiada, diante da serenidade que é necessária para falar com pessoas calmamente, consolar quem se desespera, diante do mundo que não para pra gente chorar, eu acabo me sentindo sem opção e escolhendo ir resolvendo tudo.
Tenho certeza que a pausa para dor virá quando eu menos esperar, talvez num dia daqui a alguns meses em que eu coma um doce de batata doce, que eu faça uma sopa de legumes batida no liquidificador e ponha um fio de azeite, que eu beba um copo gelado de mate feito em casa, ou ainda que esteja lendo alguma receita dela no Caderno de Receitas que aos 8 anos de idade eu a ajudava a montar, usando os panos de prato que ela bordou pra mim, ou vendo minha filha enxugar as mãos numa das toalhinhas que ela decorou.
Eu não sei. A vontade de chorar é grande, mas o dia de trabalho foi tão intenso e tudo foi tão rápido, que me peguei alguns segundos no banheiro apertando os olhos e tentando fazer sair as lágrimas que não sei por que razão não querem me dar alívio. Elas estão perdidas, ainda.
Eu ainda não sei tudo que dela vai me fazer falta. Ainda não sei quanto isso tudo vai me doer. Que coisas eu ainda queria ter vivido com ela, como vou me sentir amanhã ao vê-la naquele lugar.
Minha vó era a referência de pessoa mais velha e mais merecedora de respeito que eu tinha na vida e eu ainda não sei o que a partida dela representa pra mim.
Por agora eu sei que tudo parece suspenso.
Não sei bem o que pensar, não consigo chorar. Não consigo me sentir triste demais porque não a temos mais por perto, nem feliz demais porque ela enfim descansou das consequências do AVC.
Só queria deitar no colo dela e ouvi-la cantar "Eu me lembro da priminha Mariquinha lá no fundo do quintal... Eram tão belos os seus sonhos e encantos, lá no fundo do quintal..."
Descanse em paz, minha vó, longe das coisas do seu corpo que já não acompanhava mais a sua lucidez e a sua força. E lembre-se sempre que você foi uma mulher muito, mas muito amada nesta terra.

quarta-feira, março 25, 2009

Certo

Você poderia me perguntar o que há no dia de hoje e a única resposta que eu poderia lhe dar é "não sei". O que eu tinha por certo, não sei. O que eu achava que era crucial para que eu me sentisse bem, mudou. As coisas que me ocupavam a mente, agora são outras.
Os dias eram cheios, o tempo passava rápido e eu teimava em lutar contra o relógio para realizar algumas coisas que me eram muito caras. Nessa luta a única perdedora era eu.
No final sobrava sempre a sensação de querer mais e nunca dar tempo. Sempre ficava para amanhã uma longa lista de coisas a fazer e, invariavelmente, uma longa lista de reclamações.
Uma agonia que me apertava o peito deu lugar a um vazio silencioso e calmo. Qual o preço? Qual o valor? Ainda estou aprendendo. O que ficou mais forte? A oportunidade de me observar, de sentir, sempre, e pensar.
Os dias não mudaram. Mudei eu.
Água, ar, Lua. Mudar não parece tarefa difícil, mesmo com valores antigos e crenças que mais parecem coisa da minha Vó. Eu cria... Eu creio. Não sei também.
Mas enquanto nada do que me parecia certo parece ser possível, mudo. O que é certo hoje? Não sei. Talvez você esteja certo. Mudar é a minha essência.

sábado, março 21, 2009



Sim! Você sabe de mim, quando eu não tô afim, quando eu só quero brincar... Não! Sim! Mesmo que eu diga não você não me desdiz, mas me chama atenção...Vamos lavar toda a roupa suja e mergulhar de cabeça nos armários da ilusão. Riscos vem à tona e eu pareço um otário como você que é uma pedra em meu caminho...
Minha pedra preciosa, minha preciosidade, minha preciosa idade, minha presa...
Minha fé silenciosa, meu atalho, meu destino, minha pretinhosidade, minha festa!
Minha festa! Minha seta! Minha flecha!

[Pretinhosidade - Composição: Mart'nalia e Mombaça]

quinta-feira, março 19, 2009


Por que o cactus?
Porque é pequeno.
Porque é forte.
Porque é resistente.
Porque oferece muito (alimento, água ou no mínimo beleza).
Porque são misteriosos.
Porque têm seus espinhos e eles exigem cuidados.
Porque para florescerem também exigem cuidados.
Porque, de alguma forma, lembram você.
"Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é."
[RA]

quarta-feira, março 18, 2009


Lembra do tempo em que a gente cria?
E crer era a melhor coisa e a gente nem sabia?

quinta-feira, março 12, 2009

Conteúdo

"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas…
Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia…"


[Friedrich Nietzsche]


CONTEÚDO.
Verdadeiro.
Profundo.
Além da superfíce da pele.
Da fragilidade tosca das palavras, nem sempre claras.
CONTEÚDO.
Que arde, que perdura.
Que representa.
Em que se pode confiar.
Com o que se pode contar.
Consciente.
Pleno.
Nem que seja por um instante.

terça-feira, março 10, 2009

Porque tanto perderse, tanto buscarse, sin encontrarse...



"Porque tanto perderse tanto buscarse sin encontrarse
Me encierran los muros de todas partes
Barcelona te estás equivocando no puedes seguir ignorando
que el mundo sea otra cosa y volar como mariposa
Barcelona hace un calor que me deja
fría por dentro con este vicio de vivir mintiendo
que bonito seria tu mar si supiera yo nadar
Barcelona y mientras está llena de cara de gente extranjera,
conocida, desconocida? Y vuelta a ser transparente
No insisto más Barcelona
si no es cosa de tus ritos (o gritos?) tu laberinto extrovertido
No he encontrado la razón porque me duele el corazón
porque es tan fuerte que sólo podré vivirte en la distancia
y escribirte una canción
Te quiero Barcelona
(Ellas en el poder... Ellas en el poder!)"

[Barcelona - Giulia Y Los Tellarini]


** A quem não assistiu Vicky Cristina Barcelona, recomendo...
Além da sempre linda Penélope Cruz, que neste filme está deliciosamente louca e impagável, a estória é de se pensar, as cenas são belas de se ver... A trilha sonora, bem... Direçao de Woody Allen. Sobre a insanidade dos relacionamentos humanos... E como podem ser engraçados... Há ainda muito o que se falar e como achar formas variadas de se abordar o assunto.
O que vale mais a pena? Estar seguro do que se quer e ir galgando degraus? Não saber nada sobre isso e ir buscando apenas tendo certeza do que não se quer?
Como se vai mais longe? Como se realiza mais?
Como se pode ser mais feliz?
Eu ri muito... E saí ainda emocionada! Com vontade de ver de novo já na porta...

sábado, março 07, 2009



"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar pra pensar na verdade não há..."

[Pais & Filhos - Renato Russo]



A gente sempre escuta que "ser mãe é padecer no paraíso" - eu escutava isso quando era mais nova e não entendia bem como podia ser... É tão trabalhoso, requer tanta abdicação, tanta segurança, que se assuma riscos, que se caminhe meio sem saber se está certo... Como poderia isso ser paraíso? (E olha que até alguns anos atrás eu nem sabia na prática o que era ser mãe...)

É tão difícil olhando de fora, sem ser mãe, compreender como uma mãe pode ser chata, como pode ser autoritária e megera, como pode ser grudenta, como ser besta de orgulhosa demais, como pode querer paparicar o filho, como pode achá-lo sempre o mais bonito (mesmo sendo feio pra caramba), mais esperto, mais dedicado, mais isso ou aquilo... A gente não entende sequer como nossa mãe acha essas coisas da gente, nem como pode perturbar tanto nosso juízo...

Mas quando enfim chega a nossa hora de ser mãe é como se tudo se transformasse. A gente passa quase que instantaneamente a fazer as mesmas coisas... Carregar foto na carteira, fazer cordãozinho de 1º dente de leite que cai, colocar na parede do trabalho aqueles rabiscos que são os primeiros desenhos... E a gente também começa a ser megera, começa a ter dias de descontrole que não pode aparecer, começa a ter dúvida se está fazendo direito, mesmo que lá dentro aquela vozinha do instinto nos garanta que está tudo bem e que, nada seja, é o seu melhor que você está fazendo por aquela coisinha...

Também, não menos instataneamente, a gente começa não só a compreender (porque a maternidade traz uma capacidade de compreensão sem igual), mas também a entender nossa mãe em todas as vezes que elas nos perturbou, ou nos deixou babados de tanto beijo. E começa a ver que pode entender também o que será lá, na frente, ser avó.

A gente entende o quanto de medo e de insegurança ela teve de conter e quantas escolhas muito difíceis ela teve que fazer para que a gente hoje estivesse aqui, como adultos. O quanto ela abriu mão, consciente e por querer, de coisas que eram sonhos dela? Quantas vezes ela nos fez achá-la insuportavelmente chata por querer apenas que a gente aprendesse em casa, pelo amor, as coisas que se não aprendidas ali, seriam aprendidas na rua, em geral pela dor?
A gente aprende a ser filha quando aprende a ser mãe...
E mesmo assim a gente ainda esquece que o tempo passa... Que a força tão "obrigatória" de toda mãe também esmorece... Que ela envelhece, deixa de ter toda aquela disposição, e toda aquela segurança de quando olhávamos pra ela de baixo. Que ela fica mais humana, e mortal... Que muitas vezes, quando estamos crescidos, é nosso papel estar com ela como ela já esteve com a gente, horas a fio, sem escolha-por escolha, em qualquer caso.

Algumas vezes essa compreensão vem toda de uma vez... E como tudo no universo da maternidade, é intenso, dá medo, cria força. Faz transformar.
Hoje olhando minha vó na cama, quieitinha, sem falar, mas sorrindo quando cheguei, orgulhosa de suas unhas pintadas com cintilante (as quais fiz questão de elogiar) e da pulseira de pérolas que estava em seu braço esquerdo paralisado, sentindo a mão direita dela apertando com força a minha... Quando abracei minha mãe um ano mais velha, mais magra... Quando ganhei dela os artesanatos que anda fazendo e me senti orgulhosa pelos presentes... Notei também como os anos se passaram. Como as coisas mudaram, como as pessoas precisam de carinho, de atenção, de amor, como que por mais que se doe, que se dê, que se entregue, algumas pessoas sempre merecem mais. Por tudo que são, por tudo que fizeram, ou simplesmente por tudo que nos proporcionam sentir.
Nessas horas você consegue também um vislumbre de como essas mulheres da vida da gente são fortes, como elas vencem o medo, como buscam segurança na coisa mais forte que se tem quando se é mãe (e mais forte que eu creio que exista no mundo) - o amor incondicional por alguém.

Obrigada por tudo, Mãe... E feliz aniversário também!
Todo meu amor por você, Vó. E obrigada pelo quanto você me deixou aprender, sempre...

quinta-feira, março 05, 2009

Sometime Later... Later...

Touch my hand
Its only me, listen
I'm here

Come to stand
In sultry fields
With you

And now
Old dummy day
I know
Is over this way

I'm laughing
Saw you gonna kiss me
You see
Yeah as I said

One day she wont
A lonely bird
Alone

Judgement day
Saw the world its gone
Unheard

Sold the sea
A lot how it feels to me

I hate the word it's sad to see
I take your weight
And your heart fades away
Today a renegade
To lay in woods
By the pheasants

I mean it
You don't
Force on my head
Kill our nightmare

A lonely bird, a lonely bird
A lonely bird, alone

Colour me
Cover me in the colour that reminds you
Solemnly

Could make the same mistake
And you would never know
That I am, that I am
Alone, now

Something, something
Tells me that you
Have something
On, all of us now
You're heaven
Taking over me now
Colour me hate
Raw little nerve
Colour me and pull us
Only home
Me home

Hold the sun down
Hold the moon down
Leave me to rest
Want the world man
Too the words out
Only relief is
To slip through the nets
Hold a minute
And stop a minute
And go
Hold a minute
You said to me
Said to me and
Breath, breath, breath, breath, breath...
You said it to me
Sometime later

[Sometime Later - Alpha]


* É foda... É muito... É tudo que eu queria dizer hoje. Sentar e olhar. Pensar.
Essa música diz tudo. E é de um filme não menos foda, o "Minha Vida Sem Mim". Quantas vezes já falei desse filme? Quantas vezes já ouvi essa música? Não sei. E sei que não será hoje a última vez.
A gente dá tanto valor à tanta coisa que não importa... E tão pouco valor às coisas que de fato importam. Que triste.

Later... Later... Sometime later... Later...