sábado, março 07, 2009



"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque se você parar pra pensar na verdade não há..."

[Pais & Filhos - Renato Russo]



A gente sempre escuta que "ser mãe é padecer no paraíso" - eu escutava isso quando era mais nova e não entendia bem como podia ser... É tão trabalhoso, requer tanta abdicação, tanta segurança, que se assuma riscos, que se caminhe meio sem saber se está certo... Como poderia isso ser paraíso? (E olha que até alguns anos atrás eu nem sabia na prática o que era ser mãe...)

É tão difícil olhando de fora, sem ser mãe, compreender como uma mãe pode ser chata, como pode ser autoritária e megera, como pode ser grudenta, como ser besta de orgulhosa demais, como pode querer paparicar o filho, como pode achá-lo sempre o mais bonito (mesmo sendo feio pra caramba), mais esperto, mais dedicado, mais isso ou aquilo... A gente não entende sequer como nossa mãe acha essas coisas da gente, nem como pode perturbar tanto nosso juízo...

Mas quando enfim chega a nossa hora de ser mãe é como se tudo se transformasse. A gente passa quase que instantaneamente a fazer as mesmas coisas... Carregar foto na carteira, fazer cordãozinho de 1º dente de leite que cai, colocar na parede do trabalho aqueles rabiscos que são os primeiros desenhos... E a gente também começa a ser megera, começa a ter dias de descontrole que não pode aparecer, começa a ter dúvida se está fazendo direito, mesmo que lá dentro aquela vozinha do instinto nos garanta que está tudo bem e que, nada seja, é o seu melhor que você está fazendo por aquela coisinha...

Também, não menos instataneamente, a gente começa não só a compreender (porque a maternidade traz uma capacidade de compreensão sem igual), mas também a entender nossa mãe em todas as vezes que elas nos perturbou, ou nos deixou babados de tanto beijo. E começa a ver que pode entender também o que será lá, na frente, ser avó.

A gente entende o quanto de medo e de insegurança ela teve de conter e quantas escolhas muito difíceis ela teve que fazer para que a gente hoje estivesse aqui, como adultos. O quanto ela abriu mão, consciente e por querer, de coisas que eram sonhos dela? Quantas vezes ela nos fez achá-la insuportavelmente chata por querer apenas que a gente aprendesse em casa, pelo amor, as coisas que se não aprendidas ali, seriam aprendidas na rua, em geral pela dor?
A gente aprende a ser filha quando aprende a ser mãe...
E mesmo assim a gente ainda esquece que o tempo passa... Que a força tão "obrigatória" de toda mãe também esmorece... Que ela envelhece, deixa de ter toda aquela disposição, e toda aquela segurança de quando olhávamos pra ela de baixo. Que ela fica mais humana, e mortal... Que muitas vezes, quando estamos crescidos, é nosso papel estar com ela como ela já esteve com a gente, horas a fio, sem escolha-por escolha, em qualquer caso.

Algumas vezes essa compreensão vem toda de uma vez... E como tudo no universo da maternidade, é intenso, dá medo, cria força. Faz transformar.
Hoje olhando minha vó na cama, quieitinha, sem falar, mas sorrindo quando cheguei, orgulhosa de suas unhas pintadas com cintilante (as quais fiz questão de elogiar) e da pulseira de pérolas que estava em seu braço esquerdo paralisado, sentindo a mão direita dela apertando com força a minha... Quando abracei minha mãe um ano mais velha, mais magra... Quando ganhei dela os artesanatos que anda fazendo e me senti orgulhosa pelos presentes... Notei também como os anos se passaram. Como as coisas mudaram, como as pessoas precisam de carinho, de atenção, de amor, como que por mais que se doe, que se dê, que se entregue, algumas pessoas sempre merecem mais. Por tudo que são, por tudo que fizeram, ou simplesmente por tudo que nos proporcionam sentir.
Nessas horas você consegue também um vislumbre de como essas mulheres da vida da gente são fortes, como elas vencem o medo, como buscam segurança na coisa mais forte que se tem quando se é mãe (e mais forte que eu creio que exista no mundo) - o amor incondicional por alguém.

Obrigada por tudo, Mãe... E feliz aniversário também!
Todo meu amor por você, . E obrigada pelo quanto você me deixou aprender, sempre...

2 comentários:

kekoleko disse...

atrasado mas sincero.
Feliz dia das MÃES !!!

LINDO O TEXTO...

Anônimo disse...

lágrimas...
lindo
deu saudade da minha mãe