quarta-feira, julho 02, 2014

Paternidade

Sobre brincadeiras, pegadinhas e comentários idiotas que fazemos...
Não, a vida não é pra ser só retidão, seriedade, chibata... Mas deveríamos, e muito, rever as piadinhas, pegadinhas e comentários que muitas vezes fazemos "só de brincadeira".
Palavras e ações têm força, duração e alcance muito maiores e amplos do que imagina nossa cabeça que teimamos em usar levianamente!
Cada um enfrenta suas batalhas, medos e dramas internos e essas "brincadeirinhas" não raro pegam mal.
Isso serve para o lidar com nossos filhos, outras crianças e até com outros adultos também. ‪#‎ficaadica


"Acabei de ver o vídeo de uma brincadeira sem graça com uma criança...
Algo que seria uma coisa boba com um adolescente, mas com uma criança é pura estupidez. Filmar e colocar na Internet eu acho que é crime.
Aliás, existem muitas "pegadinhas" que são apenas crueldade e violência, mas a gente se deixa seduzir pelas gargalhadas fáceis...
Humilhar os outros em troca de alguns instantes de risada...
Mas... eu um dia passei por isso. Achei que poderia ser engraçado, que poderia render boas risadas, mas estava enganado. Fiz uma brincadeira tola e desnecessária com meu filho Lucas, que não tinha mais que 5 anos, e recebi dele a pior das respostas...

"Com um gesto rápido e inesperado, empurrei Lucas para dentro da piscina. Seu corpo minguado de criança fez tchibum na água azulada e, como a piscina era rasa, ele logo voltou à tona, esfregando o rosto. Olhei para ele e dei uma sonora gargalhada. “Ra, ra, ra, ra, seu bobão”, disse eu.

Recuperado do susto inicial, Lucas manteve-se sério. Não parecia ter gostado da brincadeira. Dei mais uma risada histriônica, forçando a barra. Ele continuou sem sorrir. Fez uma face chorosa e disse:

— Você não podia fazer isso.

— Ora, Luquinhas, foi só uma brincadeira. Desculpa. Eu estava só querendo brincar com você. Não queria machucar, nem assustar. Desculpa, tá?

Ele continuou em silêncio. Com a cabeça baixa, caminhou em direção ao vestiário, mas sem segurar minha mão.

— Ô cara. Não fica triste. Era brincadeira, vai.

— Você não podia fazer isso comigo — insistiu ele.

— Por quê, Lucas? — perguntei.

Lucas me encarou nos olhos de uma maneira que eu jamais esquecerei. Disse com uma entonação de quem parecia ter 30 anos de idade. Olhou-me como se fosse eu a criança, e me deu a mais dramática das respostas:

— Porque você... é meu pai.""

(...)

"Por outro lado a resposta do meu filho me fez despertar de uma espécie de letargia adolescente, uma penumbra renitente, a nostalgia de uma infância que se esvaia pelos dedos, mas que meu punho cerrado insistia em segurar, como a areia que fica entre os dedos quando o sol se põe e temos que sair da praia e voltar para casa.

Desperto de um longo sono infantil despertei naquele momento para o mundo da paternidade.

"A frase de Lucas na piscina matou um menino. Caído ao solo, no pequeno passeio de pedras que levava ao vestiário, nunca mais se ergueu. Existe apenas em sonhos, lembranças e no gérmen infantil que todos carregamos. Mas sua existência concreta acabara ali. Morto, sem vida. Mas incrivelmente nem os salva-vidas da piscina se interessaram por recuperá-lo. Melhor que ficasse, enfim, ali onde estava.

Segurei Lucas com minha nova mão. Olhei nos seus olhos, pedindo que tivesse paciência. Meu olhar se encheu de vergonha. Olhei para meu corpo de menino ao lado e me despedi dele. Encarei mais uma vez Lucas, eu menino, e lhe pedi perdão. Meu pedido, desta vez, vinha com outra voz. Talvez ele pudesse entender."


(Entre as Orelhas, capítulo "Paternidade")

segunda-feira, junho 30, 2014

sábado, junho 28, 2014

"Imaginei por um momento um mundo sem Henry. E jurei que no dia que perder Henry, eu matarei minha vulnerabilidade, minha capacidade para o verdadeiro amor, meus sentimentos, com a devassidão mais frenética.
Depois de Henry não quero mais amor. {…}
Depois de não ver Henry por cinco dias por causa de mil obrigações, não pude suportar. Pedi a ele para se encontrar comigo durante uma hora entre dois compromissos. Conversamos por um momento, então fomos para um quarto do hotel mais próximo. Que necessidade profunda dele.
Só quando estou em seus braços as coisas parecem direitas.
Depois de uma hora com ele, pude continuar o meu dia, fazendo coisas que não quero fazer, vendo pessoas que não me interessam."

[Anais Nïn]

terça-feira, junho 03, 2014

Pai do Céu, peço serenidade e paz para todos os de bom coração para que possam ver esse tanto de coisa ruim, má e triste no mundo e não perder a ternura, não perder a fé e a vontade de fazer, de agir por um mundo com seres humanos melhores. Que possam se unir e se ajudar, que não se sintam sós e isolados nessa terra em que estamos.

É o único pedido que está, sinceramente, em meu coração.


terça-feira, fevereiro 11, 2014

Nem Luxo, nem Lixo

"Como vai você?
Assim como eu
Uma pessoa comum
Um filho de Deus
Nessa canoa furada
Remando contra a maré
Não acredito em nada
MAS não duvido da fé...
Não quero luxo nem lixo
Meu sonho é ser imortal
Meu amor!
Não quero luxo nem lixo
Quero saúde pra gozar no final
Luxo! Lixo!
Meu sonho é ser imortal
Meu amor!
Não quero luxo nem lixo

Quero saúde pra gozar no final..."



Depois de uns acontecidos nas últimas semanas, comigo e na cidade, e depois de um debate no Facebook de um amigo ontem, desde ontem e até hoje fiquei pensando em como é normal criticarmos o outro, vermos o errado nas atitudes do outro quando qualquer coisa nos agride e invade, ultrapassa nossos direitos e o que achamos certo.
Aqui no Rio virou normal fazer justiça com as próprias mãos... Postam fotos de pessoas mortas, ensaguentadas caídas no chão, batem e amarram em poste o pivete nu, grupos de jovens da zona sul se juntam pra fazer ronda noturna... E as pessoas "ovacionam digitalmente", comemoram ("bandido bom é bandido morto", "eba, menos pivete no Rio", "me diz ontem me junto aos justiceiros!", "já que a polícia não faz seu papel, a população faz!" - dizem), acham tudo normal e muito bom.
Acontece uma ultrapassagem mais forte, o motorista da frente faz uma bandalha, o taxista para em qualquer lugar pra pegar passageiro, um pedestre caminha na ciclovia (sabendo ou não sabendo que aquilo ali é uma ciclovia) e o normal é logo xingar, é reduzir a pessoa  a pó de m#5d@, se é negro é porque é "preto funkeiro", se é mulher é "burra", se é uma  senhora é "velha cega e surda", se é uma pessoa simples é um "favelado" e não faltam termos e denominações de grupos ou não para diminuir o outro.
Quem se sente afetado justifica sua (pseudo)revolta por ter um rosário de vezes que foi fechado na rua, ou que um carro quase atropelou (de bike ou a pé), de calçadas que estavam bloqueadas, de skatista que estava na ciclovia e não devia, de pedestre que não anda na linha onde tem que andar. Há pedestre que estava no ponto de ônibus e foi atropelado, tem cliente que estava no restaurante e o carro subiu na calçada e adentrou o local atropelando vários, tem pedestre que estava na calçada e tomou uma marretada na cabeça, caída de algum andar em obra. Cai marquise em cima de gente, despenca prédio no centro, cai galho de árvore em cima de carro. Também tem idoso que é mal-educado na fila do mercado, mesmo tendo fila prioritária, tem gente que não respeita a fila prioritária dos idosos... Tem atendimento ruim, tem falta de qualidade, tem trapaça e privilégios desiguais, favorecimentos, sonegação, violência... Tem tudo isso e muito mais que nem lembro pra registrar (ou meu cérebro bloqueou, pelo meu bem). E atentem: isso não é só no Rio, não é só no Brasil... Tem em todo lugar, mais ou menos, que a gente sabe ou não sabe, que a mídia compartilha ou não, explora ou não, de forma sensacionalista ou não.
De todos nós que facilmente chamamos alguém de burro, idiota, imbecil, errado, quem é que não faz ou fez igual em alguma situação? Eu não tenho como estar a 40Km/h numa ciclovia pra poder reclamar de um pedestre nela, porque aprendi a pedalar ontem e tenho mais medo que segurança, mas seguramente já atravessei fora da faixa e fora do sinal, fazendo alguém ter que frear ou sair de mim pra não me atropelar, já caminhei na ciclovia também, e já estive no Aterro final de semana "tartarugueando" com uma bike alugada e quase levei trauletada daqueles ciclistas que tem bikes maravilhosas, as tais "speeds", e andam a sei lá quantos quilômetros naquela pista cheia de criança.
Não acho justo que os bandidos vivam soltos e façam o que querem, e a gente viva com medo e em jaulas com grades. Mas também, não acho que nossa sociedade tenho discernimento, valores e ética suficiente pra aplicar justiça com as próprias mãos justo porque olhamos e julgamos com nosso umbigo, dentro do que nos incomoda. Ponto.
Cadê os justiceiros na hora de votar? Cadê os justiceiros pra fazer trabalho voluntário? Quem de nós que se revolta contra o Cabral e o Paes e que efetivamente faz algo pra mudar a consciência política em nossa cidade? Quem de nós trabalha pra educar quem não tem acesso a nada?
Estamos todos na mesma "canoa furada, remando contra a maré e não acreditamos"... Muitos ainda duvidam da fé também... A única forma que acho que existe de melhor alguma coisa é ajudar a que as pessoas pensem, a que elas tenham valores do bem, que sejam éticas, que pensem no próximo como um ser humano com os mesmos direitos. Que ao invés de só chamar os outros de funkeiro(a), imbecil, burra(o), velha(o), pivete etc. efetivamente ajam pelo bem.
Que o invés de plantarmos revolta, plantemos amor, respeito e ação, muita ação!
E não é porque deu errado 1, 2, 3, 10, 100...1000 vezes que devemos deixar de ser éticos, de pensar e fazer o bem.
A Paz, a civilidade, a solução começa em CADA UM, em CADA PENSAMENTO, e em CADA ATITUDE! E isso não é balela, não é ser Poliana, é real. E até agora, pelo que nos mostra a história, nem impérios, nem barbáries, nem guerras, nem revoltas civis armadas foram a solução! Que possamos dar uma chance à alternativa de determinadamente e com afinco sermos a Paz, a cada momento!

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Be your own Peace.




Ao invés de esperar dos outros ou do mundo a Paz, seja você sua própria Paz. A solução começa por cada um de nós.
Quando der aquela raiva de alguém ou de uma situação, silencie, respire fundo...
Quando der aquela vontade de marcar sua posição, de trazer a sua "verdade absoluta", silencie, respire fundo...
Passa, tudo passa.

E BOM DIA! (Que é você mesmo que o faz bom!)

Sobre a deliciosa vida com GATOS!



(Não, eu não me imagino sem eles! E tem sido assim desde que eu era criança...
é um caso de paixão irremediavelmente sem solução!) >^.^<

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Ainda acredito em heróis - adeus Nelson Mandela


"Quando criança achava aquela história de super herói meio engraçada. A maioria deles tinha se tornado especial por pura sorte e não por merecimento: eram ET, tinham sido picados por uma super aranha, tinham sido expostos a radiações solares e gama ou, simplesmente nascido mutantes. Não tinha merecimento no que faziam de especial. Um dos poucos que era um cidadão comum que havia se rebelado contra a injustiça, era multimilhonário, meio louco e justiceiro. Era um herói um tanto sombrio. E assim foi até que meu pai me apresentou ao homem e ao mito Nelson Mandela. Fiquei impressionado, mobilizado mesmo pelas habilidades especiais com as quais quebrava grilhões, derrubava vilões e opressores, lutava incansavelmente contra a injustiça. Ele usava inteligência, amor, sabedoria, compreensão e princípios morais. O seu exemplo cotidiano eram a grande arma do homem comum. Ser comum era o que ele tinha de mais especial. Sangrava, errava, pedia desculpas, se irritava... Sua liderança era merecida, conquistada e alcançável por qualquer um. Era isso! Eu tinha achado um GRANDE HERÓI!! Transformou o mundo. Agora se foi. Que ele permaneça como fator mutante e contamine a todos nós."

[Eduardo Murad]

quarta-feira, setembro 25, 2013

Guimarães Rosa matando a pau
(By Carlos Francisco Beneduzi)


"... o que Deus quer ver é gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre e amar, no meio da tristeza. Todo caminho da gente é resvaloso. Mas cair não prejudica demais. A gente levanta, a gente sobe, a gente volta."

(Copiado do Facebook de minha amiga Thamy.)

sexta-feira, setembro 13, 2013

Relicário

"É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Por que está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?

Desde que você chegou
O meu coração se abriu,
Hoje eu sinto mais calor
E não sinto nem mais frio,

E o que os olhos não vêm
O coração pressente,
Mesmo na saudade
Você não está ausente

E em cada beijo seu
E em cada estrela do céu
E em cada flor no campo
E em cada letra no papel

Que cor terão seus olhos
E a luz dos seu cabelo
Só sei que vou chamá-lo
De Esmael, Esmael"

(Relicário - Nando Reis)