sexta-feira, dezembro 06, 2013

Ainda acredito em heróis - adeus Nelson Mandela


"Quando criança achava aquela história de super herói meio engraçada. A maioria deles tinha se tornado especial por pura sorte e não por merecimento: eram ET, tinham sido picados por uma super aranha, tinham sido expostos a radiações solares e gama ou, simplesmente nascido mutantes. Não tinha merecimento no que faziam de especial. Um dos poucos que era um cidadão comum que havia se rebelado contra a injustiça, era multimilhonário, meio louco e justiceiro. Era um herói um tanto sombrio. E assim foi até que meu pai me apresentou ao homem e ao mito Nelson Mandela. Fiquei impressionado, mobilizado mesmo pelas habilidades especiais com as quais quebrava grilhões, derrubava vilões e opressores, lutava incansavelmente contra a injustiça. Ele usava inteligência, amor, sabedoria, compreensão e princípios morais. O seu exemplo cotidiano eram a grande arma do homem comum. Ser comum era o que ele tinha de mais especial. Sangrava, errava, pedia desculpas, se irritava... Sua liderança era merecida, conquistada e alcançável por qualquer um. Era isso! Eu tinha achado um GRANDE HERÓI!! Transformou o mundo. Agora se foi. Que ele permaneça como fator mutante e contamine a todos nós."

[Eduardo Murad]

quarta-feira, setembro 25, 2013

Guimarães Rosa matando a pau
(By Carlos Francisco Beneduzi)


"... o que Deus quer ver é gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre e amar, no meio da tristeza. Todo caminho da gente é resvaloso. Mas cair não prejudica demais. A gente levanta, a gente sobe, a gente volta."

(Copiado do Facebook de minha amiga Thamy.)

sexta-feira, setembro 13, 2013

Relicário

"É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Por que está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Por que está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?

Desde que você chegou
O meu coração se abriu,
Hoje eu sinto mais calor
E não sinto nem mais frio,

E o que os olhos não vêm
O coração pressente,
Mesmo na saudade
Você não está ausente

E em cada beijo seu
E em cada estrela do céu
E em cada flor no campo
E em cada letra no papel

Que cor terão seus olhos
E a luz dos seu cabelo
Só sei que vou chamá-lo
De Esmael, Esmael"

(Relicário - Nando Reis)

quarta-feira, maio 29, 2013

Pertencer

"Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. 
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. 
Mas eu, eu não me perdoo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. 

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"

(Clarice Lispector)

*Minha vida é pertencer.

terça-feira, maio 28, 2013

Estar sozinho é bom!

Estar sozinho é bom!
E estar com alguém, quando queremos, é melhor ainda.
O desafio está em querer, fazer querer, e manter o querer. Seu e do outro.
Tudo tem seu momento.
Enquanto queremos estar com o outro para suprir nosso medo do silêncio, do vazio, ou nosso vazio, acho que não dá certo...

Ser deliciosamente desnecessário pro outro, e ainda assim querer e ser querido, é que é TUDO DE BOM!

sexta-feira, maio 24, 2013

Serena Idade

Ao invés de buscar felicidade devíamos buscar serenidade.
Este é o melhor sentimento pra se sentir constantemente... Para basear seu estado de espírito.
É ele que lhe permite pensar, observar, decidir ou não, e até lhe permite também curtir melhor os momentos felizes e, em geral, simples da vida.

terça-feira, maio 14, 2013

Desapego


"Tenho visto muitos jovens tratando o desapego como a nova moda entre as condutas sociais, o tal do "amar sem se apegar". E levam ao pé da letra o lema que pregam: gostam, afagam, verbalizam, andam de mãos dadas...
Passada a fase da conquista, trocam de objeto. Um ciclo que se repete, não há apego, não há formação de família, não há evolução de relacionamento comum. Será que nessa trajetória de individualismo, esse jovem encontrará alguém no caminho e saberá onde está o amor no meio de tanto apego a si mesmo?"

(Nathalia Paccola)



Acho sim que é bom não ter apego às coisas materiais, aos sonhos e desejos que a gente pode e dever rever, abrir mão, renovar, de qualquer forma sem tender a volubilidade, à falta de determinação para conquistar algo que se queira.
Mas desapego com relação às pessoas com as quais você se relaciona pra mim é estranho demais. Eu não consigo, nem quero. Ao mesmo tempo que tenho certeza que apego em excesso faz mal, como qualquer coisa ou sentimento em excesso o faz, tenho certeza de que desapego da forma como é praticado hoje em dia leva a relacionamentos vazios. Raso e fútil.
Acredito, e aprendi na vida, que é a intimidade que nos faz amar, ser amados, é a aceitação (e sermos aceitos) que nos dá paz. E não dá pra chegar a um nível de relacionamento íntimo e de aceitação sem dar tempo ao relacionamento, ao conhecimento do outro (e de si mesmo junto e com o outro)... E com o tempo passado junto, de qualidade, convivendo e trocando, não dá muito pra evitar se apegar pelo menos um tico...
Faz parte da vida receber, apegar, curtir, conhecer, crescer, avaliar, aprender, mudar, deixar ir, ou deixar vir  de novo. É a graça de estar vivo!

sábado, maio 11, 2013

FELIZ DIA DAS MÃES!



A grande ilusão de que ser princesa, encontrar um príncipe encantado, casar e ter filhos e uma linda casinha faz a mulher feliz...
Na prática e na realidade é vida é muito mais caótica, muito mais imprevisível, essas coisas aí de cima que parecem belas fulltime apenas o são nos contos.
E a gente no meio da bagunça, das obrigações, da poeira da casa, da pilha de louça, das crianças com nariz escorrendo e brigando pela casa, ou tossindo a noite toda e com febre, do cara pachorrento sentado com controle na mão (futebol, cerveja, ou bate-bola?)... de ter coisas pra fazer sem vontade, e o trabalho pra fazer, obrigação de estar sempre bela como as malditas princesas... Sorrindo, elegante e magra.
AFF! Meu feliz dias das mães é TODO DIA! No meio da "mais perfeita desordem" que é a vida e meu cotidiano... Meu feliz dia das mães é quando Aninha me abraça e o mundo todo some, ou quando choro e ela me olha com aqueles olhos de jabuticaba sem fim... Quando ela me conta orgulhosa as notas das provas, quando passo o dia à toa com ela... Quando dormimos agarradinhas. Quando perco a paciência e quero fugir de casa, mas também quando me descubro muito mais forte do que a menina que eu era com 20 e poucos anos.
Meu feliz dia das mães é uma desordem... Vira-me do avesso frequentemente. E me faz chorar e rir às vezes ao mesmo tempo.
Sim, feliz dia das mães, por favor, livre de contos de fadas!

domingo, maio 05, 2013

Paralisia


A lua ia alta no céu quando Clara abriu os olhos. O quarto escuro, a cama quente marcada por seu corpo. A respiração levemente ruidosa de seu gato e o ar quente que saía de seu focinho úmido soprando em seu pescoço. Tentou mover os pés, um a um cada dedo, mas estes não respondiam. Sentia em suas costas o peso de uma vida, tentava arqueá-las, espreguiçando-se, tampouco a esse comando seu corpo respondia. Indagava-se se sonhava ou se havia realmente despertado.
Olhou as paredes do quarto, o velho pôster de seu filme favorito, a heroína gótica de hábitos duvidosos, mas caráter e valores inabaláveis. A gravura mostrando seu dorso nu, presente de um amigo havia tantos anos resgatado de uma mala antiga fazia poucas semanas... O ambiente lhe era familiar, somente seu corpo lhe parecia estranho naquele momento.
Tentou acordar as áreas de seu cérebro, as quais haviam de estar ainda dormindo, relembrando o que havia se passado nas horas anteriores aquele sono profundo. O dia de trabalho. A ansiedade. As ruas à noite. O café. A conversa sobre questões de gênero. O teatro. O longo diálogo sobre existência de Deus, fé, guerra e pulsões, ou ausência de tudo isso. A presença dele. A mão leve e quente por suas pernas sob a calça jeans. Seu cheiro. A parede gelada contra suas costas, e a pressão das pernas dele contra suas coxas. O beijo, a falta de ar. O adeus naquela noite. O metrô vazio e gelado. A casa em silencio. O banho fervente, como que para tirar-lhe cheiros e gostos, e o tato. A cama fria. O sono pesado, a falta de alternativa ou a impossibilidade do desejo. Madrugada alta, e seu corpo paralisado agora.
Relembrou alguns de seus últimos dias e se perguntava por que estava de novo se sentindo atada. Mais que isso, impossibilitada. Havia, por escolha, novamente se colocado numa encruzilhada entre suas vontades e o desejo de um homem. Seu corpo representava naquele momento sua impotência diante dele.
Concentrou-se nos dedos das mãos, o indicador da mão direita que estava próximo a sua boca. Conseguia sentir nele sua respiração? Pensou em movê-lo uma, duas, três vezes até sentir um arrepio descendo do ombro em direção à mão. O sinal de que seus músculos acordavam. A quantos minutos estava naquela posição? Parecia uma eternidade. Contraiu o abdômen, sentiu uma onda descendo pelas pernas e subindo pelos seus seios. Lembrava-se das mãos dele, do calor emanado delas, em seu ventre. Repetiu mentalmente aquela sensação por cada parte de sua pele, como um toque mágico que acordava cada célula, e aos poucos foi retesando o corpo, membro a membro, cada terminação nervosa, como um feixe mágico de luz percorrendo-a por dentro e sob a superfície de sua pele gelada.
Respirou fundo notando-se finalmente desperta. Com algum sacrifício, como se fosse pela primeira vez, virou-se de lado e foi parada por algo que resistia ao seu movimento. Não estava só na cama? Fechou e abriu os olhos novamente, estreitou a cabeça entre os travesseiros, esticou os braços, abriu as mãos e sentiu os pelos do peito dele sob os dedos e as unhas. Apertou-o com força, ele estava ali! Não estava só! Enroscou suas pernas nas dele, mais uma vez, seus pés gelados contra as panturrilhas dele. Seria difícil separa-los se assim morressem. Afundou o rosto entre os braços dele, respirou o cheiro de sua pele e de seu suor o quanto pode. Sorriu sozinha e, sentindo-se segura e em casa, voltou a dormir e a sonhar rindo de si mesma.

(Imagem: O pesadelo, de Henry Fuseli, 1781.)

sexta-feira, maio 03, 2013

- FACEBOOK DA ALEGRIA -

A todos os amigos que interessam: não, não estou triste ou deprimida.
Estou vivendo, com dias mais alegres, dias mais reflexivos, dias punk e dias ocupados, dias preguiçosos, dias ensolarados e dias nublados... Como qualquer ser humano que se permita SENTIR e VIVER, além de ser cheio de obrigações e controles.
Ouvindo MUITAS músicas que adoro, lendo dois livros ao mesmo tempo, assistindo MUITOS filmes que adoro também. Acordando todo dia muito feliz de ir trabalhar, de estar a 13 anos mesma empresa e a cada dia aprender algo novo, cuidando do meu lar como boa canceriana. Com saúde. Minha filha é encantadora, doce, inteligente, amiga, companheira e tem MUITA saúde, e vai muito bem também! (Amém!)
Encontro meus amigos, converso. Fico irritada com a política no Brasil e no Mundo, com a ignorância das pessoas, preocupa-me a violência sem medidas.
Embora pareça que tudo que é triste e mais introspectivo, ou reflexivo, salte mais aos olhos de todos, nos últimos dias postei de tudo quanto foi coisa aqui no FB... Desde piada, foto de pula corda, letras e mais letras de músicas, link sobre política, sobre parto humanizado, sobre Ciências, trechos de textos e sei lá mais o que...
Talvez eu veja beleza e poesia onde os mais agitados veem tristeza e melancolia...
("Cada um com seu cada qual", como dizia meu velho e sábio Pai.)
Acho que na vida e no Facebook, como espelho, as pessoas estão tão preocupadas em mostrar alegria e sucesso, buscar diversão e prazer, que qualquer pessoa que APENAS SINTA, REFLITA e VIVA acaba parecendo deprimida, ou triste.
Atentem! E, em tempo, obrigada pelo cuidado, atenção e carinho. :-)