Fui assistir ontem de noite o filme Tropa de Elite 2 no Cinema São Luiz e não posso deixar de registrar minhas impressões... Fora a irritação com o fato de que tudo aqui é desorganizado, até cinema com lugar marcado, fiquei muito feliz, como sempre fico, ao ver um filme nacional causando tranto frenesi e levando tantas pessoas às bilheterias. Mesmo que seja por um tema incialmente violento... Ao final a sensação foi de que este segundo episódio nem é tão violento se comparado ao primeiro Tropa de Elite. As agressões dessa vez não são aos olhos, pela violência, mas à alma, ao coração, às crenças, à esperança, pela falta de caráter.Dessa vez saí do cinema sentindo um misto de raiva, de impotência, tristeza, e sentindo-me deprimida... (No outro até saí do cinema orgulhosa do BOPE e pensando também que "bandido bom é bandido morto"... Não sei muito bem o limite entre o que é direito humano ou não no meio da selva que se transformou a cidade.)
"Que futuro pode ter uma criança nesse país?", "Só mesmo tendo muita fé em algo superior pra achar que isso tudo algum dia tem uma solução..." eram as frases que me passavam pela cabeça. Pensava no sorriso da Aninha e o que fazer da vida com tudo isso e com o fato de que não dá pra crer em algo melhor para o futuro dela.
Quando a gente acredita que o problema do Rio (e por aí afora) são as favelas, a desigualdade, os traficantes e a violência dentro de casa a situação já parece um monstro enorme, mas ainda dá pra pensar em soluções (educação para a ética como a maior e melhor delas).
Quando se observa sujeira, a corrupção e mau-caratismo espalhado entre políticos, polícias, líderes de imprensa e tudo o mais aí a sensação de que nada resolve fica sem tamanho. Pensando bem a fundo conclui-se que a educação, voltada para a ética, também seria a grande solução, mas assusta pensar no prazo (muito longo) no qual veríamos alguma mudança efetiva. (Eu sem dúvida não verei. Minha filha também creio que não. Meus netos, quem sabe?)
Um outro ponto, mais acalentador, é acompanhar o crescimento do Capitão Nacsimento... A melhor definição que li dessa nova fase dele é "um personagem Quixotesco"... A luta dele é algo digno de Dom Quixote mesmo. Entristece ver a decepção nos olhos dele com relação às coisas que ele cria, mas isso o torna humano, não herói. De qualquer forma, digam se não é isso, em variadas escalas, que todos nós passamos diariamente?
Eu queria ver o filme, fiquei feliz em assistí-lo... Mas me puno porque tenho que assumir que muitas vezes é melhor uma visão Poliana da vida. O filme é forte, é inteligente, muito bem feito, ficção, mas muito possível, e muito provavelmente mostra o que deve acontecer pelas Secretarias de Segurança, pelas Delagacias de Polícia, pelas vielas e bocas de fumo espalhadas por nosso Rio, e, mais, por nosso país. O Sistema se recria, adapta-se, modifica-se, como qualquer sistema vivo e pulsante, diante dos desafios, das mudanças, das necessidades, dos desejos. E tem como ser melhor que o que se vê no filme, considerando que a célula básica desse Sistema é o Ser Humano? Não sei.
Depois de um filme assim, só mesmo um banho no escuro, algumas lágrimas de desabafo e uma caminha bem quente pra dar força pro dia seguinte. (E, com tudo isso, vale muito mesmo a pena ver o filme!)
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