"Todo dia ela faz tudo sempre igual: me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã...
Todo dia ela diz que é preu me cuidar, essas coisas que diz toda mulher, diz que está me esperando pro jantar e me beija com a boca de café...
Todo dia eu só penso em poder parar, meio-dia eu só penso em dizer não, depois penso na vida prá levar e me calo com a boca de feijão...
Seis da tarde como era de se esperar ela pega e me espera no portão, diz que está muito louca prá beijar e me beija com a boca de paixão...
Toda noite ela diz preu não me afastar, meia-noite ela jura eterno amor e me aperta prá eu quase sufocar e me morde com a boca de pavor...
Todo Dia! Todo Dia!"
[Chico Buarque]
Que esse pequeno cotidiano criado, que hoje nos cai tão bem, que me faz sorrir ao acordar, que me faz esperar pelo final de semana, que me faz lembrar das suas tarefas diárias, que me faz, por consequência, pensar na sua fome e no que você gosta de comer, que me faz lembrar das cores que combinam, que me faz ter vontade de pegar sol, de gravar filmes, que me faz ficar deitada quando estou só, também sorrindo, seja sempre nosso cotidiano quando o tempo tiver passado, nos dias que faltar paciência, nos dias que faltar vontade, nos dias que faltar disposição e que saibamos sempre fazer e criar tanto a compreensão, quanto o carinho, quanto a paciência, quanto a vontade, quanto o desejo, quanto o amor.
Um comentário:
Tantos sabores a sentir e as vezes nos acostumamos ao simples amargo...
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