terça-feira, fevereiro 24, 2009



...estive tão longe de ti
mas deixa agora que te nomeie entre as nuvens
e traga para dentro de mim...
o aroma que era o teu corpo nas manhãs a dois...

[Vasco Gato]



Não me pergunte se estou bem, não me pergunte se sei alguma coisa, o que quero, o que não quero. Há dias que tão pouco sei, que nem eu mesma espero de mim respostas - perguntas, e mais perguntas, é só o que posso lhe dar.
Não espere um cais - porque estou à deriva nas águas do mar faz tempo, não por descaso, mas por gosto ao desconhecido. Pelo vento que me sopra o rosto.
Não me peça controle, não me ofereça isso, muito menos.
Não, eu não sirvo para controlar ninguém. No máximo tento, depois de muito errar, acertar meus passos na linha reta do caminho do meio.
Eu sirvo, sim, sirvo, para servir. Mas não espere atos nobres, minha serventia não é nobre.
Sou pequena, equivocada, passional. A razão me tortura enquanto me ensina o caminho. E travo entre ela e a paixão que me toma, a cada dia, uma luta na qual me recuso a ser vítima.
Não espere disso aqui reflexão. Ordem, qualquer coisa que lhe faça sorrir.
Eu não sorrio quando escrevo. Tão pouco deixo de arder.
As letras são vermelhas porque assim também estão meus olhos. Porque assim é o mundo por meus olhos.
Palavras? O que são elas diante de um olhar de agonia? Diante do espaço infinito dos segundos que quero morrer de tanto viver?
Acabou o carnaval. As cores me tomaram de assalto! E agora estou cinza. Só posso rir olhando como a vida brinca com a gente enquanto a gente brinca de viver.
Deus deve estar jogando bolinha de gude.
"Seria trágico se cômico não fosse."

3 comentários:

Anônimo disse...

Das cinzas da quarta escrevo meus dias adiante. Não que adiante ser escritor de vidas, mas em letras transformamos o que nos incomoda. A nós e aos outros.

adoooro!

beijo, querida!

B. disse...

:-) S2

kekoleko disse...

Ler esse post com música de baixo foi sinistro ...

E o filme também.