segunda-feira, maio 30, 2011

Cotidiano

"Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.

Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.

Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.

Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor."

[Cotidiano/Chico Buarque]




E não é que o cotidiano pode ser bom, mesmo com uma rotina diária?

sexta-feira, maio 27, 2011

"O homem criou Deus à sua imagem e semelhança: intolerante, sexista, homofóbico e violento."

quinta-feira, maio 26, 2011

Felicidade

... As pessoas buscam a felicidade como única forma de realização da vida, mas existem outras coisas... Se não houvesse essa pressão dos outros e da gente por ser feliz, até que podíamos viver muito bem sem ser felizes, mas sendo plenos, ou realizados, ou úteis, ou resilientes etc. ...

Depois que escrevi isso, li de minha mãe:

"É no que acredito... Não precisamos SER FELIZ O TEMPO TODO... Precisamos ter esta sensação de utilidade, plenitude e realização... Conseguindo esta consciência, sem nem notarmos, nos pegamos felizes...
Daí, daí a um pouco, acontecem coisas para nos fazerem correr atrás de novo... Ralar de novo... Sofrer um pouquinho de novo... E, quando conseguimos a paz(zinha) novamente... As coisinhas no lugar de novo... Vemos o quão somos úteis, plenos, realizados... E volta a felicidade outra vez..."

É isso aí mãe!!! Nem preciso escrever mais nada!!!

terça-feira, abril 12, 2011

Exemplos do errado



Ontem assisti o filme "VIPs" no cinema, faz um tempo assisti "Bruna Surfistinha"...
Saí do cinema ontem pensando: será que é só isso que se quer mostrar do Brasil?
Tirando os filmes pelo centenário do Chico Xavier e o "Lixo Extraordinário" (este último imperdível!), a maioria dos filmes nacionais é sobre violência e gente safada, que tem uma vida nada exemplar, glorificando a malandragem e a sacanagem.

Semana passada fui ver um jogo de basquete de meu cunhadinho, no Fluminese - a partida era Municipal contra o dono da casa. Categoria sub-14.
Segundo jogo do time dele contra o time do Fluminense que assisto e me impressiona muito a mau-caratismo, a falta de educação e de ética do técnico dos meninos do Fluminense.
Nascida numa família quase TODA tricolor hoje em dia tenho pinimba com esse time e a torcida só pelo que vejo nas quadras de basquete nos jogos juvenis.

Um técnico que fala com o juiz como se tivesse conchavo com ele, que manda e desmanda dentro da quadra, que fala pro juiz mandar o técnico do outro time sentar de depois ri debochadamente na cara de todos porque, obviamente, o outro técnico teve que sentar... Um técnico que grita grosseiramente com os meninos de seu time, que bebe água e joga o copinho de plástico no chão quando fica com raiva de alguma ação da arbitragem, ou erro dos meninos do Fluminense... Que joga a toalha no chão também... Que não respeita as regras de espaço onde deve ficar durante o jogo, que segura o jogador do time adversário, atrapalhando-o, quando a bola sai e o jogador tem que colocar a bola em jogo novamente... Enfim, uma longa lista que define um comportamento que eu JAMAIS gostaria de ver num técnico que treinasse um filho meu com cerca de 13 anos...

Não gostei, não gosto... E, atualmente, ir ver jogo de basquete juvenil onde o Fluminense joga não é mais diversão pra mim.

(No mais, sobre mim: muito, mas muito trabalho... todos estes dias! Felizmente!!!)

quarta-feira, abril 06, 2011

Me empresta teus olhos pre eu me olhar...

domingo, abril 03, 2011

VERDADE



[Auto-portrait de Suzanne Junker]

terça-feira, março 29, 2011



Um dia vamos nos perceber de fato que a REAL beleza é ser quem se é.
E aceitar que sejam.

quarta-feira, março 23, 2011

Hoje...

"Quero te conquistar
Um pouco mais e mais a cada dia
Satisfazer tua vontade
Também me sacia..."


[Trecho de Tudo Com Você, de Lulu Santos e Fausto Nilo]

sábado, março 12, 2011

Férias, sol, praia, casa, filmes (muitos filmes), samba, cozinha, lista de material, planejamento para o trabalho em 2011, volta ao trabalho, mudanças em casa, aulas de Pilates, voltar a correr, RPG, e ainda assim alguma dor na coluna, Carnaval, começo real do ano...
Tudo isso aconteceu e meus dedos continuam mudos. Em oposição à minha mente que anda mais confusa que nunca, minha boca queria andar fechada, meu peito cerrado, e os dedos imóveis.
Não tenho lido muito, não tenho saído muito, não tenho ouvido muita música. Não tenho feito muitos planos. Não tenho sonhado muito. Não sei o que esperar, se devo esperar (certa de que não devo!). Ainda assim me sinto ocupada. Falo demais. Respiro demais. Penso demais.
Agradeço todos os dias a sorte que tenho na vida, as conquistas que alcancei, a saúde que tenho. Meu lar. As pessoas que amo. Os dias de sol e sempre quando me sinto bem correndo no Aterro. Quando sinto minha pele quente. Faço carinho na minha gata, sempre companheira. Curto e amo muito minha filha que parece crescer cada dia mais rápido.
Sinto falta.
Amo.
Dói.
Sinto-me intrigada, desafiada, emocionada e impressionada com muitos filmes que vejo (não, isso não parei de fazer!)... De vez em quando fico extremamente empolgada com uma conversa que tenho com alguém.
Mas não me sinto livre de uma sensação aterradora, avassaladora de vazio. De um silêncio que me cala as mãos, boca. Que me cansa a mente, que aperta o peito. De que quanto mais faço, mais ainda tem de se fazer. De que quanto mais vivo e vejo, menos sei. Mais sozinha e perdida me sinto. Aquela sensação "lugar-comum" de que felicidade não existe, e sim apenas momentos felizes, de que felicidade não se vive, tem-se por dentro ou não. E de que não sei mesmo diferenciar uma coisa da outra ou me sentir satisfeita com o que me acontece.
Volta a vontade de dormir, dormir, dormir...
Não sei.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A consciência das coisas às vezes causa alguma dor, principalmente quando aprendemos e, mais, interiorizamos que aquelas coisas belas e boazinhas que crescemos ouvindo e acreditando (às vezes, né?) não existem...
É o processo de tornarmo-nos quem nós somos, de, nisso, enxergarmos o mundo como ele é.
Sobra pouco, mas o pouco que sobra é de qualidade, extrema, ou devia ser.
A vida é solitária sim, e quando estamos em paz conosco, a solidão é boa, muito boa.