sexta-feira, julho 18, 2014

quinta-feira, julho 17, 2014

Revolução

Para guando começamos a reclamar do mundo, achando-nos muito sabedores das verdades, das soluções, e culpando os outros, notando somente suas falhas e não as nossas próprias...



terça-feira, julho 15, 2014

Sons de fundo

Tenho sérios problemas em ficar ouvindo ruídos que pessoas tensas ou com manias tendem a fazer... balançar perna e ranger cadeira com isso, bater com clips na mesa, bater com dedo na mesa etc. Também me dá agonia celular tocando sozinho, sem ninguém que o atenda. Em casa esses sons já são irritantes, no trabalho então, enquanto temos que nos concentrar, é IR-RI-TAN-TE-DE-MAIS!
Aff... Imagina aturar um som específico meeeeeses a fio... todo santo dia, vai-e-vem o mesmo som... tem que ser muito budista e ter muito auto-controle. Não dá! Não cheguei a esse nível de evolução.
(E olha que já dei toque nas pessoas, hein!)
Aí que uma colega do trabalho compartilhou a solução para os meus problemas: NOISLI (http://www.noisli.com).
Você seleciona barulhinhos bons, o volume de cada um deles, mistura mais de um e pronto... Não se escuta mais o barulho chato do clips, ou da roda da cadeira rangendo...
Eu, particularmente, gosto do barulhinho de fogueira bem baixinho junto com som de água na bacia... :-) Ai ai... quase no nirvana.
Bom dia!

domingo, julho 13, 2014

Sobre sentimentos, na Copa 2014/Brasil


"Aprendo demais com esporte. O mundo dos atletas normalmente envolve dedicação, inteligência, esforço, garra, adrenalina, coragem, sorte. E observar Copa, Olimpíadas, jogos ou disputas importantes sempre me motivou muito. Eu que a princípio era da turma do “essa Copa é comprada”, fui me interessando aos poucos como a maioria dos brasileiros, assumindo uma grande queda que eu sempre soube que tinha, a de torcer pela Seleção de futebol do meu país numa Copa do Mundo. E eu aprendi tanto! Ainda bem que me deixei morder a tempo. Todos, por motivos óbvios e outros implícitos, queriam ganhar. Fui vendo em cada olhar e vibração após o gol de cada uma das Seleções. No fatídico 7x1 do Brasil eu olhava pro Cris como quem diz sem palavras, “amor, o que está acontecendo?”, parecia um pesadelo real e era, porque eu tinha acompanhado a todas as Copas e nunca tinha visto nada parecido com aquilo na minha da vida. Aprendi até mais sobre futebol, suas regras, suas jogadas ensaiadas. E como não sou lá tão boba assim, apesar de admirar nosso técnico por ele estar sempre à frente de seus atos sem se deixar ser desmoralizado por tantos, por sua convicção e certeza de que ele é sim um campeão mundial, aprendi que ser cabeça dura, ainda que com classe, não rola. Observando assim fui lá aprender com os campeões da vez, os alemães, que deram um show de coletividade entre toda a sua equipe, que tomaram de outras técnicas como a yoga e a meditação para vencerem. E aprendi também um pouco de quem eu mesma sou nesse meio todo, observando a tudo isso. Aos 7x1 eu iria vaiar nossos jogadores, aqueles mesmos que me fizeram aos poucos vestir minha camisa da seleção dos anos 60 que eu tinha? Que no mesmo primeiro tempo eu aplaudo e ao final do segundo tempo eu quero ver as cabeças rolarem em posts nas redes sociais? Nem fu... fu... aprendi que o brasileiro sabe ser bem humorado e criativo em tudo (ri tanto, mas tanto, vendo a minha timeline do Instagram depois do 7x1), mas que também sabe virar a casaca do te amo e te odeio em meio segundo, que mostrou ao mundo que sabe ter alegria apesar de todos os nossos problemas sociais e que precisamos aprender a ser um coletivo, a tocar a bola, a ser uma constelação e não uma estrela, a ter método e esquema tático para além da malandragem. Como tem marketing numa Copa do Mundo, como tem paixão por um esporte, como tem confraternização entre povos, como tem deslealdade no próprio jogo, como tem vontade, interesses envolvidos, como tem risos, como tem lágrimas. Afinal foi bom demais. E com tudo que venho vivendo e acompanhando desse meu país desde Junho do ano passado, como vai ser tão melhor votar em Outubro tendo tanta referência boa pra tentar uma vitória real pro Brasil."


sexta-feira, julho 11, 2014

Haute Route

Acordei como de costume às 05:10 da manhã para a caminhada de 30 minutos na esteira lá do prédio... Acordo sempre feliz em conseguir ter essa determinação. Hoje, em especial, estava frio, uns 17ºC (frio pro Rio, óbvio), escuro e chuvoso... Poderia muito bem pensar fácil em algumas desculpas para ficar de preguiça e dormir uma hora a mais, mas não - o compromisso é comigo mesma! Troquei de roupa, escovei os dentes e desci.
O ritual é sempre o mesmo: acendo a luz, abro a porta que dá pra área externa pra aproveitar o ventinho da manhã, ligo a TV, escolho um canal com algum programa de imagens e com legenda (pra não fazer muito barulho) e faço o workout mais básico da esteira.
É o segundo dia que ponho no canal Off da TV a cabo - estava vendo um programa sobre Chamonix, na Franca - capital do turismo aventura (se quiser ver o resumo clique aqui). As moças caminharam por todo o lugar, fizeram rapel e canionismo tendo um visual absurdo de lindo pra admirar - o mergulho ao final era numa águinha de 7ºC, oriunda de degelo de glaciar. :-)
Depois começou um programa chamado Better than Four que, lendo agora, descobri que é só sobre ciclismo ("Better Than Four mescla o mundo das competições com o espirito livre do backcountry para mostrar todos os aspectos do ciclismo."). É essa a razão desse post!


















O episódio de hoje era sobre uma maratona de ciclismo amador, a Haute Route nos Alpes, que dizem ser a mais difícil e em maiores altitudes entre todas as outras que existem. São 7 dias de prova, cada dia com 3 a 9 horas de pedal morro acima na região dos Alpes! Tem ciclista de todos os tipos, mas, claro, todos em muito boa forma, com experiência e algum tempo de treino. O pessoal ingere pelo menos 5000 calorias por dia, usando o tempo que dá, entre as paradas e as provas. Acontece de tudo no caminho: tem gente que passa mal, que se machuca, que desiste, tem gente que vai adiante com mais facilidade, famosos se juntam aos competidores... Tinha até uma equipe do Quênia - como são conhecidos por sua resistência física e velocidade com os pés, resolveram treinar e ver como se saiam nessa prova e nessas circunstâncias. Pra ver: um queniano que pedalava fazia apenas um ano chegou em terceiro lugar numa das etapas, alguns metros apenas depois do 1º e 2º lugares que são atletas profissionais!
Mas o mais legal de tudo, além das imagens liiiindas de viver, é ver o desafio que existe para cada um, cada um ao seu nível, e que todos são respeitados. Essa é a beleza do esporte!
Para quem quiser assistir, descobri os horário alternativos: 11 JUL 2014 - 17:00; 12 JUL 2014 - 09:00; 13 JUL 2014 - 00:00 e 14 JUL 2014 - 04:00.
Bom último dia útil da semana! Dessa semana que já vai tarde! ;-)

(Quero "dias inúteis"!!!)

quinta-feira, julho 10, 2014

Sobre Importância

"Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo."

(Manoel de Barros)

quarta-feira, julho 02, 2014

Paternidade

Sobre brincadeiras, pegadinhas e comentários idiotas que fazemos...
Não, a vida não é pra ser só retidão, seriedade, chibata... Mas deveríamos, e muito, rever as piadinhas, pegadinhas e comentários que muitas vezes fazemos "só de brincadeira".
Palavras e ações têm força, duração e alcance muito maiores e amplos do que imagina nossa cabeça que teimamos em usar levianamente!
Cada um enfrenta suas batalhas, medos e dramas internos e essas "brincadeirinhas" não raro pegam mal.
Isso serve para o lidar com nossos filhos, outras crianças e até com outros adultos também. ‪#‎ficaadica


"Acabei de ver o vídeo de uma brincadeira sem graça com uma criança...
Algo que seria uma coisa boba com um adolescente, mas com uma criança é pura estupidez. Filmar e colocar na Internet eu acho que é crime.
Aliás, existem muitas "pegadinhas" que são apenas crueldade e violência, mas a gente se deixa seduzir pelas gargalhadas fáceis...
Humilhar os outros em troca de alguns instantes de risada...
Mas... eu um dia passei por isso. Achei que poderia ser engraçado, que poderia render boas risadas, mas estava enganado. Fiz uma brincadeira tola e desnecessária com meu filho Lucas, que não tinha mais que 5 anos, e recebi dele a pior das respostas...

"Com um gesto rápido e inesperado, empurrei Lucas para dentro da piscina. Seu corpo minguado de criança fez tchibum na água azulada e, como a piscina era rasa, ele logo voltou à tona, esfregando o rosto. Olhei para ele e dei uma sonora gargalhada. “Ra, ra, ra, ra, seu bobão”, disse eu.

Recuperado do susto inicial, Lucas manteve-se sério. Não parecia ter gostado da brincadeira. Dei mais uma risada histriônica, forçando a barra. Ele continuou sem sorrir. Fez uma face chorosa e disse:

— Você não podia fazer isso.

— Ora, Luquinhas, foi só uma brincadeira. Desculpa. Eu estava só querendo brincar com você. Não queria machucar, nem assustar. Desculpa, tá?

Ele continuou em silêncio. Com a cabeça baixa, caminhou em direção ao vestiário, mas sem segurar minha mão.

— Ô cara. Não fica triste. Era brincadeira, vai.

— Você não podia fazer isso comigo — insistiu ele.

— Por quê, Lucas? — perguntei.

Lucas me encarou nos olhos de uma maneira que eu jamais esquecerei. Disse com uma entonação de quem parecia ter 30 anos de idade. Olhou-me como se fosse eu a criança, e me deu a mais dramática das respostas:

— Porque você... é meu pai.""

(...)

"Por outro lado a resposta do meu filho me fez despertar de uma espécie de letargia adolescente, uma penumbra renitente, a nostalgia de uma infância que se esvaia pelos dedos, mas que meu punho cerrado insistia em segurar, como a areia que fica entre os dedos quando o sol se põe e temos que sair da praia e voltar para casa.

Desperto de um longo sono infantil despertei naquele momento para o mundo da paternidade.

"A frase de Lucas na piscina matou um menino. Caído ao solo, no pequeno passeio de pedras que levava ao vestiário, nunca mais se ergueu. Existe apenas em sonhos, lembranças e no gérmen infantil que todos carregamos. Mas sua existência concreta acabara ali. Morto, sem vida. Mas incrivelmente nem os salva-vidas da piscina se interessaram por recuperá-lo. Melhor que ficasse, enfim, ali onde estava.

Segurei Lucas com minha nova mão. Olhei nos seus olhos, pedindo que tivesse paciência. Meu olhar se encheu de vergonha. Olhei para meu corpo de menino ao lado e me despedi dele. Encarei mais uma vez Lucas, eu menino, e lhe pedi perdão. Meu pedido, desta vez, vinha com outra voz. Talvez ele pudesse entender."


(Entre as Orelhas, capítulo "Paternidade")