sexta-feira, maio 24, 2013

Serena Idade

Ao invés de buscar felicidade devíamos buscar serenidade.
Este é o melhor sentimento pra se sentir constantemente... Para basear seu estado de espírito.
É ele que lhe permite pensar, observar, decidir ou não, e até lhe permite também curtir melhor os momentos felizes e, em geral, simples da vida.

terça-feira, maio 14, 2013

Desapego


"Tenho visto muitos jovens tratando o desapego como a nova moda entre as condutas sociais, o tal do "amar sem se apegar". E levam ao pé da letra o lema que pregam: gostam, afagam, verbalizam, andam de mãos dadas...
Passada a fase da conquista, trocam de objeto. Um ciclo que se repete, não há apego, não há formação de família, não há evolução de relacionamento comum. Será que nessa trajetória de individualismo, esse jovem encontrará alguém no caminho e saberá onde está o amor no meio de tanto apego a si mesmo?"

(Nathalia Paccola)



Acho sim que é bom não ter apego às coisas materiais, aos sonhos e desejos que a gente pode e dever rever, abrir mão, renovar, de qualquer forma sem tender a volubilidade, à falta de determinação para conquistar algo que se queira.
Mas desapego com relação às pessoas com as quais você se relaciona pra mim é estranho demais. Eu não consigo, nem quero. Ao mesmo tempo que tenho certeza que apego em excesso faz mal, como qualquer coisa ou sentimento em excesso o faz, tenho certeza de que desapego da forma como é praticado hoje em dia leva a relacionamentos vazios. Raso e fútil.
Acredito, e aprendi na vida, que é a intimidade que nos faz amar, ser amados, é a aceitação (e sermos aceitos) que nos dá paz. E não dá pra chegar a um nível de relacionamento íntimo e de aceitação sem dar tempo ao relacionamento, ao conhecimento do outro (e de si mesmo junto e com o outro)... E com o tempo passado junto, de qualidade, convivendo e trocando, não dá muito pra evitar se apegar pelo menos um tico...
Faz parte da vida receber, apegar, curtir, conhecer, crescer, avaliar, aprender, mudar, deixar ir, ou deixar vir  de novo. É a graça de estar vivo!

sábado, maio 11, 2013

FELIZ DIA DAS MÃES!



A grande ilusão de que ser princesa, encontrar um príncipe encantado, casar e ter filhos e uma linda casinha faz a mulher feliz...
Na prática e na realidade é vida é muito mais caótica, muito mais imprevisível, essas coisas aí de cima que parecem belas fulltime apenas o são nos contos.
E a gente no meio da bagunça, das obrigações, da poeira da casa, da pilha de louça, das crianças com nariz escorrendo e brigando pela casa, ou tossindo a noite toda e com febre, do cara pachorrento sentado com controle na mão (futebol, cerveja, ou bate-bola?)... de ter coisas pra fazer sem vontade, e o trabalho pra fazer, obrigação de estar sempre bela como as malditas princesas... Sorrindo, elegante e magra.
AFF! Meu feliz dias das mães é TODO DIA! No meio da "mais perfeita desordem" que é a vida e meu cotidiano... Meu feliz dia das mães é quando Aninha me abraça e o mundo todo some, ou quando choro e ela me olha com aqueles olhos de jabuticaba sem fim... Quando ela me conta orgulhosa as notas das provas, quando passo o dia à toa com ela... Quando dormimos agarradinhas. Quando perco a paciência e quero fugir de casa, mas também quando me descubro muito mais forte do que a menina que eu era com 20 e poucos anos.
Meu feliz dia das mães é uma desordem... Vira-me do avesso frequentemente. E me faz chorar e rir às vezes ao mesmo tempo.
Sim, feliz dia das mães, por favor, livre de contos de fadas!

domingo, maio 05, 2013

Paralisia


A lua ia alta no céu quando Clara abriu os olhos. O quarto escuro, a cama quente marcada por seu corpo. A respiração levemente ruidosa de seu gato e o ar quente que saía de seu focinho úmido soprando em seu pescoço. Tentou mover os pés, um a um cada dedo, mas estes não respondiam. Sentia em suas costas o peso de uma vida, tentava arqueá-las, espreguiçando-se, tampouco a esse comando seu corpo respondia. Indagava-se se sonhava ou se havia realmente despertado.
Olhou as paredes do quarto, o velho pôster de seu filme favorito, a heroína gótica de hábitos duvidosos, mas caráter e valores inabaláveis. A gravura mostrando seu dorso nu, presente de um amigo havia tantos anos resgatado de uma mala antiga fazia poucas semanas... O ambiente lhe era familiar, somente seu corpo lhe parecia estranho naquele momento.
Tentou acordar as áreas de seu cérebro, as quais haviam de estar ainda dormindo, relembrando o que havia se passado nas horas anteriores aquele sono profundo. O dia de trabalho. A ansiedade. As ruas à noite. O café. A conversa sobre questões de gênero. O teatro. O longo diálogo sobre existência de Deus, fé, guerra e pulsões, ou ausência de tudo isso. A presença dele. A mão leve e quente por suas pernas sob a calça jeans. Seu cheiro. A parede gelada contra suas costas, e a pressão das pernas dele contra suas coxas. O beijo, a falta de ar. O adeus naquela noite. O metrô vazio e gelado. A casa em silencio. O banho fervente, como que para tirar-lhe cheiros e gostos, e o tato. A cama fria. O sono pesado, a falta de alternativa ou a impossibilidade do desejo. Madrugada alta, e seu corpo paralisado agora.
Relembrou alguns de seus últimos dias e se perguntava por que estava de novo se sentindo atada. Mais que isso, impossibilitada. Havia, por escolha, novamente se colocado numa encruzilhada entre suas vontades e o desejo de um homem. Seu corpo representava naquele momento sua impotência diante dele.
Concentrou-se nos dedos das mãos, o indicador da mão direita que estava próximo a sua boca. Conseguia sentir nele sua respiração? Pensou em movê-lo uma, duas, três vezes até sentir um arrepio descendo do ombro em direção à mão. O sinal de que seus músculos acordavam. A quantos minutos estava naquela posição? Parecia uma eternidade. Contraiu o abdômen, sentiu uma onda descendo pelas pernas e subindo pelos seus seios. Lembrava-se das mãos dele, do calor emanado delas, em seu ventre. Repetiu mentalmente aquela sensação por cada parte de sua pele, como um toque mágico que acordava cada célula, e aos poucos foi retesando o corpo, membro a membro, cada terminação nervosa, como um feixe mágico de luz percorrendo-a por dentro e sob a superfície de sua pele gelada.
Respirou fundo notando-se finalmente desperta. Com algum sacrifício, como se fosse pela primeira vez, virou-se de lado e foi parada por algo que resistia ao seu movimento. Não estava só na cama? Fechou e abriu os olhos novamente, estreitou a cabeça entre os travesseiros, esticou os braços, abriu as mãos e sentiu os pelos do peito dele sob os dedos e as unhas. Apertou-o com força, ele estava ali! Não estava só! Enroscou suas pernas nas dele, mais uma vez, seus pés gelados contra as panturrilhas dele. Seria difícil separa-los se assim morressem. Afundou o rosto entre os braços dele, respirou o cheiro de sua pele e de seu suor o quanto pode. Sorriu sozinha e, sentindo-se segura e em casa, voltou a dormir e a sonhar rindo de si mesma.

(Imagem: O pesadelo, de Henry Fuseli, 1781.)

sexta-feira, maio 03, 2013

- FACEBOOK DA ALEGRIA -

A todos os amigos que interessam: não, não estou triste ou deprimida.
Estou vivendo, com dias mais alegres, dias mais reflexivos, dias punk e dias ocupados, dias preguiçosos, dias ensolarados e dias nublados... Como qualquer ser humano que se permita SENTIR e VIVER, além de ser cheio de obrigações e controles.
Ouvindo MUITAS músicas que adoro, lendo dois livros ao mesmo tempo, assistindo MUITOS filmes que adoro também. Acordando todo dia muito feliz de ir trabalhar, de estar a 13 anos mesma empresa e a cada dia aprender algo novo, cuidando do meu lar como boa canceriana. Com saúde. Minha filha é encantadora, doce, inteligente, amiga, companheira e tem MUITA saúde, e vai muito bem também! (Amém!)
Encontro meus amigos, converso. Fico irritada com a política no Brasil e no Mundo, com a ignorância das pessoas, preocupa-me a violência sem medidas.
Embora pareça que tudo que é triste e mais introspectivo, ou reflexivo, salte mais aos olhos de todos, nos últimos dias postei de tudo quanto foi coisa aqui no FB... Desde piada, foto de pula corda, letras e mais letras de músicas, link sobre política, sobre parto humanizado, sobre Ciências, trechos de textos e sei lá mais o que...
Talvez eu veja beleza e poesia onde os mais agitados veem tristeza e melancolia...
("Cada um com seu cada qual", como dizia meu velho e sábio Pai.)
Acho que na vida e no Facebook, como espelho, as pessoas estão tão preocupadas em mostrar alegria e sucesso, buscar diversão e prazer, que qualquer pessoa que APENAS SINTA, REFLITA e VIVA acaba parecendo deprimida, ou triste.
Atentem! E, em tempo, obrigada pelo cuidado, atenção e carinho. :-)

terça-feira, abril 30, 2013

Expectativas



Todos os dias ela acordava com uma única expectativa: passar o dia sem se preocupar em cuidar de ninguém.
Num mundo em que cuidado passou a ser controle, e onde controle sempre haveria de ser ruim, onde a liberdade e a individualidade falavam mais alto, que mais poderia esperar de si mesma a não ser apenas fazer a sua parte nas limitadas horas de seu dia?
As vontades de todos, todas imperiosas. Liberdade. A felicidade constante, a diversão e o prazer o tempo todo à espreita, presentes, fazendo com que sorrir e gozar fossem as únicas coisas interessantes para todos... Que poderia ela, uma mulher semi-reclusa e chegada às dores, esperar do próximo? Cada um cuidando de si e de suas realizações. De fato, não devia esperar nada. Não devia querer fazer nada, além de cuidar de si mesma também, lamber suas feridas e, entre um silêncio e outro, trocar algum carinho e algumas poucas palavras.
Os dias passavam com a sensação de obrigações cumpridas. Ela também realizava. Uma vida aparentemente realizada na superficialidade de tudo.
Aonde estavam todos que pulsavam? Aqueles que sangravam? O mundo havia morrido e só ela não sabia. 

sábado, abril 27, 2013


"E o que estava longe está aqui: dentro e tão perto, de um jeito tão certo que só cabe mesmo em mim..."

(Nando Reis)

sexta-feira, abril 26, 2013


"Eu vivo a liberdade de entender que liberdade de fato é uma palavra VAZIA.
A vida não é livre, ninguém é livre.
Muito pelo contrário. O ser humano é feito de barreiras e limites. São os limites que nos potencializam (...).
A fidelidade é um acordo, não é moral, não é religioso, que a mim muito me potencializa.
Ser mãe, e abrir mão de tantas coisas que eu abri na minha vida talvez seja a coisa mais alegre e feliz da minha vida. (...)"

"Você pode ser bonita, mas você não pode ser sensual se quiser uma profissional, uma pensadora. Ser gostosa não é ser magra, ter bunda dura e peito grande. Ser gostosa é ser sensual. E ser sensual é querer comer e ser comido pela VIDA, que é o que me caracteriza!"

"Eu sou uma LOCOMOVIDA."

Esse é só o começo da palestra dessa mulher MA-RA-VI-LHO-SA! Vale os quase 16 minutos...

quarta-feira, abril 24, 2013



"Nunca toque numa mulher por tédio. Nunca toque uma mulher por tocar. Nunca toque uma mulher para completar uma palavra ou ocupar um silêncio.

Nunca toque para apoiar os medos, cobrir mágoas, equilibrar a nudez.

Nunca toque uma mulher por vingança, por carência, por controle.

Não toque se não pode andar na imaginação, se não tem vontade de segurar sua mão enquanto arde, de emparedar a respiração com os olhos.

Não toque se não está disposto a sofrer, se não está disposto a curar o sofrimento.

Nunca toque uma mulher por imprecisa hospedagem, para breve visita das pálpebras.

Toque se quiser morar, se quiser naufragar pelas janelas, se quiser morrer de ansiedade.

Não toque se não deseja, se não assumiu a ponta dos lábios nos dedos.

Não acorde o corpo de uma mulher se não irá acalmá-lo depois. Não importune a mulher se não sonha em laminar o rosto em sua pele.

Não convoque os seios para despistá-los. Não prenda a cintura se não mergulhará no cheiro.

O toque é uma promessa. Não se esvazie na repetição.

Não toque se resta dúvida, não toque se vem desistindo da relação.

Não toque uma mulher por luxo, para experimentar uma fantasia, para justificar uma ideia.

Não toque uma mulher porque não tem nada a fazer, se pensava em outro lugar.

Não toque uma mulher por vaidade, para testá-la.

Não toque para apenas para se deleitar com o prazer do suspiro, pela glória de vê-la excitada.

Não toque uma mulher à toa, por brincadeira, por maldade.

Não desonre a suavidade com a falta de firmeza.

Não toque se não precisa, se não tem urgência. Até a preguiça tem urgência.

Não toque se não ficará mais tempo, se não pode conversar, se não há como gemer.

Não se sinta melhor do que o tato.

Não se aproxime se não busca deitar. Não deite se não busca acordar. Não mexa se não tem como enlouquecer.

Não finja que não chamou, não minta que não ouviu.

Não simule pergunta para fugir da resposta.

Não menospreze a frustração.

Não cumprimente se não abraçar, não abrace se não roçar.

Não toque numa mulher por obrigação, para mostrar virilidade. Não a incomode com os beijos se não pretender soprar os ouvidos.

Não desperte as contradições, os tremores, se não pretende seguir adiante.

Nunca provoque uma mulher se não vai comê-la."

terça-feira, abril 23, 2013

Quando achamos que a vida está toda certinha, que tudo entrou nos eixos, vem alguma coisa e tira tudo do lugar. A gente sofre por perdas, anseia por uma coisa ou outra... Se pergunta um milhão de vezes se fez uma escolha certa. Fica sem entender por que a vida tem horas que parece tão ingrata, por que ela nos deve tão pouco respeito...
Nessas horas falta lucidez. Parece que falta chão, que falta ar. Tem dias que falta até água ou sobra dela. Tem dias que a solidão incomoda, tem dias que é a multidão que incomoda.
E a gente segue buscando, sempre adiante e além, e pondo fora de nós a responsabilidade de nossa felicidade. Aliás, colocamos no encontro da felicidade plena a única possibilidade de uma vida realizada, ou de paz.
A gente se ocupa de problemas que não são nossos, se enche de obrigações sociais, de obrigações nem tão importantes (como manter a casa impecável, estar sempre na ponta de todos assuntos...) e vai deixando de lado o mais importante... Conhecer a nós mesmos.
Analisar as coisas que sentimos, entender o porquê de uma reação a um tema ou outro, por que certa pessoa nos incomoda tanto. Por que alguma tarefa parece tão impossível de realizar. Por que adiamos e adiamos coisas que podíamos muito bem resolver hoje.
A gente adia, empurra com a barriga, protela, esconde, foge, tapa.
Somente olhando de frente pra nós mesmos, pra dentro do que somos, somente encontrando a paz conosco, somente sabendo entender, escolher o que viver ou não, somente não sendo impulsivo e reativo, somente plenos com nossa mente e coração encontraremos a serenidade que nos faz sentir a vida como boa, de fato.
A base para isso? Dedicação, silêncio, reflexão, disciplina, muita disciplina.